Contratos futuros do milho registraram valorização expressiva na sessão. O vencimento principal para dezembro/26 avançou 1,95%, encerrando o dia cotado a US$ 4,69 por bushel
Tensão no Mar Negro e corte de estoques pelo USDA elevam milho em quase 2%

O mercado global de grãos enfrentou um dia de forte volatilidade e reposicionamento de preços na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quarta-feira (15). A escalada das tensões geopolíticas na região do Mar Negro, aliada a dados fundamentalistas mais apertados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), impulsionou os contratos futuros do milho, que fecharam em forte alta. Por outro lado, a soja registrou um leve recuo técnico, embora siga amparada por uma demanda robusta de esmagamento e embarques físicos acelerados.
Milho acompanha rali do trigo após escalada militar no Mar Negro
Os contratos futuros do milho registraram valorização expressiva na sessão. O vencimento principal para dezembro/26 avançou 1,95%, encerrando o dia cotado a US$ 4,69 por bushel.
De acordo com análises de mercado da Royal Rural, o principal vetor de sustentação para o milho foi o efeito de contágio do trigo, cujos contratos para setembro/26 dispararam 5,04%, fechando a US$ 6,77 por bushel. O estopim para a alta do trigo foi a intensificação dos conflitos entre Rússia e Ucrânia na rota do Mar Negro, uma das principais artérias de escoamento de grãos do planeta.
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Ataques russos recentes comprometeram severamente a logística ucraniana:
Corte na capacidade: A capacidade mensal de embarque de grãos da Ucrânia despencou de 6 milhões para 4 milhões de toneladas.
Terminais paralisados: Quatro dos 13 maiores terminais graneleiros da região suspenderam compras. A Kernel, gigante exportadora local, paralisou suas operações no porto estratégico de Chornomorsk após os bombardeios.
Logística travada: O fluxo de vagões ferroviários direcionados aos portos de Odesa recuou 11%, provocando uma retração imediata de 17% nas exportações do país.
Para além da geopolítica, o milho já vinha sustentado por fundamentos sólidos após o último relatório do USDA, que cortou a projeção dos estoques finais da nova safra americana de milho de 49,78 milhões para 45,46 milhões de toneladas. No balanço global, os estoques finais projetados de milho sofreram uma redução de 5,96 milhões de toneladas, caindo para 275,26 milhões de toneladas. Essa combinação de oferta menor e risco geopolítico adicionou um prêmio de risco considerável às cotações do cereal.
Soja recua na CBOT, mas demanda interna e externa limita perdas
Na contramão do milho, os contratos futuros da soja fecharam em leve queda na CBOT. O vencimento para novembro/26 recuou 0,31%, cotado a US$ 11,91 por bushel. No entanto, analistas apontam que a baixa foi contida por fatores de demanda extremamente consistentes.
O grande suporte doméstico nos EUA veio do relatório da Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA). O esmagamento de soja em junho atingiu impressionantes 214,34 milhões de bushels, superando de longe as expectativas do mercado (de 204 milhões) e o volume de junho do ano passado (185,3 milhões). Além disso, os estoques de óleo de soja norte-americanos caíram 13,5% na comparação mensal, somando 1,5 bilhão de libras — abaixo do esperado pelos analistas.
Pelo lado da oferta sul-americana, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou sua projeção para as exportações brasileiras de soja em julho para 13,76 milhões de toneladas (alta de 1,5 milhão de toneladas frente à estimativa anterior), superando os 12,25 milhões de toneladas registrados no mesmo período do ano passado. A forte demanda de exportação do Brasil ajuda a enxugar a oferta global da oleaginosa no curto prazo.
O Impacto para a Cadeia de Proteína Animal (Aves e Suínos)
A movimentação de alta no milho na Bolsa de Chicago acende um sinal de alerta para os produtores de aves e suínos no Brasil. Como o milho representa cerca de 70% dos custos de ração animal, a valorização externa do grão tende a dar suporte aos preços domésticos do cereal, pressionando as margens dos integrados e produtores independentes de carne.
Por outro lado, o ritmo acelerado de esmagamento de soja no mercado norte-americano e as exportações brasileiras robustas indicam que a oferta de farelo de soja — o segundo componente mais importante da nutrição animal — segue ampla e ativa globalmente. Isso pode atenuar parte da pressão de alta gerada pelo milho, garantindo um equilíbrio relativo nos custos de produção das proteínas brasileiras no curto prazo.
Fonte: Canal Rural























