Portos registram altas de até R$ 3,00 por saca com suporte de prêmios firmes, apesar do ritmo lento de negócios no físico; encarecimento da oleaginosa pressiona custos da ração de aves e suínos
Clima nos EUA e esmagamento recorde inflam Chicago e elevam preços da soja no Brasil

O mercado brasileiro de soja registrou uma quarta-feira (15) de valorização generalizada nas principais praças de comercialização do país. Sob o impulso da alta das cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), aliada a prêmios de exportação firmes e à estabilidade do dólar frente ao real, os preços da oleaginosa avançaram tanto no interior quanto nos portos. Apesar da reação positiva nos valores, o volume de negócios seguiu limitado pela postura cautelosa dos produtores, que mantiveram a oferta restrita no spot.
Alta se espalha pelas praças nacionais
De acordo com analistas da Safras & Mercado, a maior parte das ofertas de pagamento no mercado físico concentrou-se com prazos de entrega e liquidação para agosto de 2026. As principais praças de originação registraram os seguintes movimentos:
Paranaguá (PR): Subiu de R$ 140,00 para R$ 143,00
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Rio Grande (RS): Subiu de R$ 140,00 para R$ 142,00
Santa Rosa (RS): Subiu de R$ 135,00 para R$ 137,00
Passo Fundo (RS): Subiu de R$ 134,00 para R$ 136,00
Cascavel (PR): Subiu de R$ 129,00 para R$ 132,00
Rio Verde (GO): Subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00
Rondonópolis (MT): Subiu de R$ 122,00 para R$ 124,00
Dourados (MS): Subiu de R$ 123,00 para R$ 124,00
O combustível de Chicago: Clima adverso e demanda forte nos EUA
O movimento de alta na Bolsa de Chicago foi alimentado por uma combinação de fatores climáticos e de consumo interno robusto nos Estados Unidos.
Do lado produtivo, os mapas meteorológicos indicam a permanência de temperaturas elevadas e chuvas escassas sobre o cinturão agrícola norte-americano (Midwest). A perspectiva de estresse hídrico em fases críticas de desenvolvimento das lavouras do maior produtor global adicionou um forte prêmio de risco climático às cotações futuras.
Pelo lado da demanda, a Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (Nopa) revelou um ritmo de esmagamento industrial surpreendente em junho. As indústrias dos EUA processaram 214,34 milhões de bushels no mês, superando significativamente a média esperada pelo mercado (de 203,98 milhões) e o volume registrado no mesmo período do ano passado (185,27 milhões).
Alerta de custos para a avicultura e suinocultura
Se para o agricultor o cenário de recuperação de preços traz alívio nas vendas, para as cadeias integradas de aves e suínos a valorização da soja representa um incremento imediato na planilha de custos.
O avanço do grão no mercado físico nacional encarece diretamente o processamento doméstico e eleva a cotação do farelo de soja, principal fonte proteica para as formulações de ração animal. Como a alimentação responde por mais de 70% do custo final de produção do frango e do suíno vivo, as indústrias de carne — que já lidam com um mercado interno de consumo fragilizado pelo endividamento familiar — precisarão monitorar de perto a evolução das cotações em Chicago para evitar um novo estrangulamento de suas margens operacionais no segundo semestre.
Fonte: Canal Rural























