Se na semana passada a força do farelo sustentava o complexo, o receio climático para a safra 2026/27 e o petróleo impulsionam a busca pelo grão brasileiro
Tensões no Oriente Médio, El Niño e prêmios em alta sustentam disparada da soja no Brasil

O mercado de soja no Brasil encerra julho com uma mudança expressiva em seus motores de sustentação. O acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o otimismo concentrado no mercado de farelo registrado na semana passada evoluiu para uma alta generalizada nas cotações da soja em grão no mercado spot, puxada pelo cenário geopolítico global e por temores climáticos para a próxima safra.
ESTA SEMANA (27/07) — Oriente Médio, El Niño e alta nos prêmios do grão
O FATO DA SEMANA: A escalada do conflito no Oriente Médio encareceu o petróleo, enquanto previsões do fenômeno El Niño acenderam o alerta sobre a safra 2026/27. A combinação fez compradores internacionais correre para a soja brasileira, elevando os prêmios de exportação e a cotação interna.
Prêmios de exportação aquecidos: A demanda compradora pela oleaginosa brasileira ganhou força nos portos. O aumento dos prêmios de exportação, somado ao aquecimento do mercado externo, refletiu-se em valorizações diretas no mercado spot nacional.
Petróleo e Geopolítica: O recente aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio impulsionou os preços internacionais do petróleo, o que tradicionalmente dá suporte às cotações das commodities agrícolas e do complexo soja em Chicago.
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Alerta Climático (El Niño): A previsão de intensificação do fenômeno El Niño ao longo da safra 2026/27 reforçou as incertezas sobre o potencial produtivo global, acionando um gatilho de proteção no mercado.
Cabo de guerra entre agentes: Para se protegerem de possíveis altas futuras, compradores anteciparam aquisições de lotes. Do outro lado, produtores e vendedores retraíram a oferta de grandes volumes no mercado físico, aguardando patamares de preço ainda mais vantajosos.
SEMANA PASSADA (20/07) — Demanda aquecida por farelo de soja
Na semana anterior, o pilar de sustentação dos preços da soja esteve fortemente concentrado no mercado de derivados, especialmente no farelo:
Disputa pelo farelo: A busca global pelo derivado gerou uma disputa acirrada entre compradores domésticos de ração e o mercado externo. Esse movimento elevou os preços FOB e os prêmios do farelo no Brasil e nos EUA.
Sustentação indireta ao grão: A força do farelo ajudou a manter as cotações da soja em grão firmes, embora a elevada oferta mundial de grão estivesse limitando altas mais expressivas na época.
Destaque das exportações: O USDA reforçava o avanço das vendas externas de farelo brasileiro e norte-americano, reduzindo o espaço relativo da Argentina no setor.
Comparativo Direto — A Mudança nos Fundamentos da Soja
| Indicador / Foco | Semana Passada (20/07) | ESTA SEMANA (27/07) — DESTAQUE |
| Gatilho Principal de Alta | Demanda global aquecida focada no farelo de soja | Tensões geopolíticas (petróleo), risco do El Niño e busca pelo grão |
| Prêmios de Exportação | Elevação concentrada no mercado FOB de derivados (farelo) | Valorização nos prêmios de exportação do grão em grão |
| Fator de Limitação/Risco | Alta oferta mundial de grão contendo disparadas de preço | Medo de quebra climática na safra 2026/27 estimulando estoques |
| Estratégia do Produtor | Vendas em ritmo regular acompanhando a demanda por farelo | Retenção de grandes lotes à espera de cotações ainda maiores |
Resumo do Cenário
Se na semana passada o combustível da soja vinha especificamente da busca por farelo de ração animal, a atualização do Cepea revela que os fundamentos do grão ganharam força própria. A combinação de petróleo em alta, prêmios valorizados nos portos e o receio dos impactos do El Niño na safra 2026/27 fez os compradores anteciparem contratos e levou os produtores a segurarem o grão, sustentando os preços no mercado físico brasileiro.
Da redação, com informações do Cepea























