Sobrecarga em rodovias, dependência do transporte rodoviário para trazer milho do Centro-Oeste e lentidão em projetos ferroviários limitam o potencial exportador e elevam custos do setor
Mercado
Gargalos logístico e de infraestrutura ameaçam a competitividade do agro em SC
Compartilhar essa notícia

Apesar dos avanços na produção agropecuária e do avanço sobre novos mercados internacionais, a infraestrutura de transporte em Santa Catarina não tem acompanhado o ritmo do setor produtivo. Responsável por cerca de 35% da economia catarinense e por 70% das exportações do estado, o agronegócio enfrenta sérios gargalos logísticos, principalmente no escoamento da produção do Oeste até os portos e no suprimento de insumos básicos.
Panorama da Logística e do Agronegócio Catarinense
| Indicador / Aspecto | Dado / Detalhamento |
| Representatividade do Agro | 35% da economia estadual e 70% das exportações de Santa Catarina |
| Atrasos no Escoamento | Condições das rodovias podem gerar atrasos de 65% a 80% na entrega aos portos |
| Demanda Anual de Milho | Consumo de 8 milhões de toneladas (com importação de >7 milhões de t do Centro-Oeste) |
| Movimentação Portuária (2025) | 65,7 milhões de toneladas de cargas nos portos catarinenses |
| Movimentação Ferroviária (2025) | Mais de 6 milhões de toneladas transportadas pela malha do estado |
Gargalos rodoviários e o desafio do abastecimento de grãos
A malha rodoviária sobrecarregada é o principal obstáculo operacional do estado. Rodovias estratégicas como a 282 e a 470 — esta última com projetos de duplicação e modernização desde a década de 1980 — necessitam de intervenções urgentes para suportar o fluxo contínuo de veículos pesados.
A precariedade das estradas impacta diretamente a cadeia de proteína animal (aves e suínos). Para manter as fábricas de ração em funcionamento, Santa Catarina demanda cerca de 8 milhões de toneladas de milho por ano. Como a produção local é insuficiente, mais de 7 milhões de toneladas do grão são trazidas do Centro-Oeste, gerando alto custo com frete rodoviário.
Propostas ferroviárias e programas de recuperação de estradas
Diante do gargalo rodoviário, a expansão da malha ferroviária ganha centralidade nos debates de infraestrutura regional. Estudos de viabilidade apontam a relevância de ligações entre Maracaju (MS) e Cascavel (PR), bem como a conexão entre Chapecó (SC) e Passo Fundo (RS), o que traria maior eficiência logística para o escoamento agrícola do Sul do país.
A condição inadequada das rodovias pode causar atrasos de até 80% na entrega de produtos ao mercado externo, elevando custos com frete e comprometendo prazos de exportação.
Enquanto projetos estruturantes de longo prazo dependem de articulação federal, o governo estadual realiza intervenções pontuais por meio do programa Estrada Boa, focado na restauração de vicinais e rodovias estaduais. O programa já contemplou mais de 1.000 quilômetros de vias e atendeu mais de 5.000 famílias produtoras no meio rural.
Fonte: Canal Rural























