De volta de um curso na Itália, o professor da USP lista os temores dos empresários europeus, de guerras e juros altos a crise hídrica e falta de mão de obra
Resiliência é a palavra-chave para o agro em um mundo de incertezas, diz Marcos Fava Neves

A construção de resiliência é hoje a principal estratégia discutida por empresários e governos diante de um cenário global cada vez mais complexo. A avaliação é de Marcos Fava Neves, professor de Administração da USP em Ribeirão Preto, fundador da Harven Agribusiness School e especialista em planejamento estratégico do agronegócio.
Fava Neves acaba de voltar de uma semana de curso na Itália, onde discutiu o cenário mundial com empresários, professores e representantes de governo. Segundo ele, a lista de preocupações é longa: tensões geopolíticas e guerras próximas à Europa, logística global fragilizada, políticas protecionistas crescentes, eventos climáticos extremos, seguros mais caros, petróleo em alta, câmbio volátil e juros que inviabilizam operações. Ele também cita o enfraquecimento de organismos como a ONU e a FAO, que antes ajudavam a coordenar políticas globais. “Hoje você trabalha com um mundo muito mais fragmentado. Isso dificulta também a coordenação”, afirma.
O professor relata que a falta de água já afeta a produção na Europa. Na Itália, durante o calor intenso, muitos equipamentos de irrigação não puderam ser ligados para não comprometer o abastecimento da população. A esse quadro somam-se a inflação generalizada de custos, a escassez de mão de obra, investimentos adiados, questionamentos sobre a agenda ESG e um consumidor com menos confiança, que migra para marcas mais baratas.
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“As variáveis variam violentamente”
Fava Neves resume o momento no que chama de “três Vs”: as variáveis variam violentamente. Para ele, as redes sociais ampliam o problema, porque a reação a um evento muitas vezes é maior que o próprio evento. Ele dá o exemplo de um rumor de falta de diesel: em poucas horas, a notícia circula nos grupos de WhatsApp, as distribuidoras sobem os preços, os produtores compram mais do que precisam e o problema acaba sendo criado.
Diante desse cenário, segundo o professor, a palavra que mais aparece nas discussões é resiliência, ou seja, a capacidade das empresas e do setor de se preparar para absorver os choques.
Da Redação, com informações da CNN Brasil






















