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Entrevista

Inteligência artificial será responsável por unificar diferentes tecnologias no controle de bactérias multirresistentes

Ferramentas desenvolvidas a partir da IA poderão ser incorporadas a inovações em áreas tecnológicas como nano, micro e manipulação genética, tanto para equilibrar microbiomas quanto para combater microrganismos patogênicos

Inteligência artificial será responsável por unificar diferentes tecnologias no controle de bactérias multirresistentes

Por Humberto Luis Marques

 

A inteligência artificial (IA) pode ter um papel central nas futuras estratégias de controle de bactérias patogênicas em seres humanos e animais de criação, minimizando o risco de desenvolvimento de microrganismos multirresistentes. As ferramentas obtidas a partir dos avanços nesta área de pesquisa seriam as responsáveis por aglutinar uma série de outras inovações ligadas a tecnologias nano, micro e a própria manipulação genética com o objetivo de equilibrar um determinado microbioma ou controlar agentes patogênicos específicos. “A inteligência artificial poderia ainda nos auxiliar na identificação de formas adequadas de aplicar todas estas tecnologias de uma maneira conjunta. Hoje, a problemática dos antimicrobianos já é uma grande preocupação e, daqui a 20-30 anos, será maior ainda”, ressalta Cristiano Gallina Moreira, professor e chefe gerencial do Departamento de Ciência Biológicas da Unesp Araraquara, especialista em bacteriologia.

O desenvolvimento de multirresistência às principais moléculas antimicrobianas é uma questão que tem preocupado o mundo científico e organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A tentativa de preservar a eficiência dos princípios ativos dos antibióticos tem levado os pesquisadores a buscarem alternativas viáveis para substituir estes medicamentos em determinadas formas de uso, assim como meios de controlar seu comércio – muitas vezes desenfreado – e o seu receituário por profissionais de medicina humana e veterinária. Novas estratégias para controle e equilíbrio em populações bacterianas em sistemas vivos também vêm sendo estudadas.

Neste ponto, a inteligência artificial poderia identificar determinadas situações e liberar compostos ou microrganismos pontualmente para combater agentes patogênicos, sem o risco de pressão seletiva, a partir da chamada “memória imunológica”. “A inteligência artificial poderia agir frente a situações de risco a partir de informações guardadas em nossa ‘memória imunológica’”, afirma Moreira.

Em entrevista exclusiva à Avicultura Industrial, o especialista debate não só o uso de tecnologias de ponta para o controle bacteriano, como também fala sobre One Health, retorno dos estudos com bacteriófagos e a importância de um sistema de comunicação oficial em casos de Salmonella em saúde pública. Confira a entrevista clicando aqui.

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