Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 70,56 / kg
Soja - Indicador PRR$ 123,32 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 131,18 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,00 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,95 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,76 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,71 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,63 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,77 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 178,01 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 188,24 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 200,90 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 210,75 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 168,76 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 194,93 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,06 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,10 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.207,77 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.085,06 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 201,03 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 178,26 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 164,10 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 172,94 / cx
Comentário

Onde realmente está o problema da carne? – por Sergio De Zen

Sergio De Zen é pesquisador responsável pela área de pecuária do Cepea 

Onde realmente está o problema da carne? – por Sergio De Zen

Sergio De Zen é pesquisador responsável pela área de pecuária do Cepea As investigações sobre o mais novo escândalo envolvendo a carne brasileira são um fato real, mas a ele deve ser dado seu devido tamanho. As falhas no sistema de fiscalização, há muito, estão sendo discutidas. Aliás, trata-se de mais um dos inúmeros problemas existentes neste País, em termos de fiscalização. Agora, de uma hora para outra, colocar toda carne brasileira na mesma “vala comum” também é exagero. Vamos compreender melhor o problema. 
 
O Brasil tem uma das melhores e maiores indústrias da proteína animal do mundo, que abastece muito bem 200 milhões de brasileiros e que exporta para mais de 150 países, de todos os continentes. Sendo maior exportador de carne bovina e de aves, e quarto de suínos, o Brasil vem se destacando nos embarques também de ovos.
 
Dito isso, o setor é bem maior que alguns fiscais e algumas plantas frigoríficas mal-intencionadas (cerca de 0,3% do total da capacidade instalada). Lógico que o fato é gravíssimo, visto que cria insegurança sobre toda as carnes de aves, boi e suína vendidas no País e ao exterior. 
 
Ao governo, cabe criar um plano de ação em três etapas. Primeiro, apagar o incêndio; segundo, apresentar um novo modelo de fiscalização; terceiro, implementá-lo. No curto prazo, prender, demitir e dar nomes aos culpados. Mostrar firmeza e determinação, e, claro, a devida amplitude do problema, não deixando-o maior tampouco minimizando-o. É preciso modernizar, dando a devida importância que o setor tem. Criar um organismo eficiente e técnico, desprovido de política e repleto de meritocracia, independente sem ser arrogante. 
 
Neste momento de crise, é que se podem surgir ideias para ousar nesse sentido. Transformar esse azedo limão numa doce limonada. Afinal de contas, somente dentro das porteiras dos produtores de boi são mais de 1,5 milhão de empregos, bem remunerados, cujo conjunto familiar chega a 5,6 milhões de pessoas. Na avicultura, o número de pessoas envolvidas não difere muito. Então, antes de destruir um setor por algumas unidades, vamos pensar bem! 
 
A agropecuária está para o Brasil assim como a indústria está para a China. Temos competência produtiva, no campo, na indústria e na distribuição. Foram pelo menos 30 anos de pesados investimentos em tecnologia, na difusão e na aplicação. Isso não quer dizer que o País é perfeito. O Brasil tem imenso potencial para ser muito mais eficiente, especialmente na pecuária de corte. A falta de consciência das pessoas que praticaram os atos ilícitos é impressionante, pois os danos econômico e social que isso causa são muito grandes, beirando milhões de empregos. Milhares de pais de família que podem ser colocados na rua do dia para noite, por uma ação irresponsável de uns poucos. 
 

O fato de o caso ter sido descoberto por instituições e agentes brasileiros, dentro do País, é menos pior que se tivesse ocorrido num país comprador. A reação internacional seria muito maior e devastadora. Neste momento, o interessante é mostrar ao mundo que o Brasil tem instituições sérias, capazes de detectar os problemas e, mais ainda, explicar a amplitude e dimensão desta ocorrência, não deixando que uma grande fatia da riqueza nacional seja destruída.

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