Evento reuniu autoridades do setor avícola em Chapecó.
Biosseguridade é destaque no Encontro da Avicultura Catarinense

O Brasil é, atualmente, o maior produtor de aves do mundo e está no topo do ranking das exportações arrecadando 8,5 bilhões de dólares por ano. Da avicultura catarinense, 30% da produção é destinada à exportação. Chapecó, que teve seu crescimento econômico impulsionado pela chegada das primeiras agroindústrias, hoje é um dos principais produtores do estado. A principal razão do sucesso do setor no país, segundo o diretor de produção da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ariel Mendes, é o investimento que se tem na sanidade da produção. O tema foi debatido na manhã desta quinta-feira (8), no Encontro de Avicultura Catarinense que ocorreu paralelo à Expoeste 2015, do qual participaram cerca de 200 pessoas.
A carne de frango é a segunda mais consumida no mundo. Fica atrás, apenas da suína. De acordo com Ariel Mendes, até 2020, o frango ultrapassará o ranking de consumo. “O potencial do setor é muito grande e o Brasil tem totais condições de continuar se destacando, pois possui mão de obra qualificada, boa produção de grãos e, principalmente, investimento na sanidade animal, o que garante a qualidade do produto final e consequentemente a competitividade internacional”, pondera. Para ele, o futuro da produção no país está em agregar valor nos produtos baratos, de fácil preparo, vendidos em porções menores.
O Estado de Santa Catarina é o segundo maior produtor de aves do país, logo atrás do Paraná. Conforme Ricardo Gouvea, o momento no mercado catarinense é de estabilidade. “Existe certa preocupação com o mercado interno, pois houve uma queda no consumo de proteína animal em geral. No entanto, é possível ver nesta crise econômica um potencial de crescimento para o setor avícola, pois a carne de frango acaba tendo um custo menor”, acredita.
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O Encontro Catarinense de Avicultura trouxe para o debate o papel do produtor no sistema integrado. Durante mesa redonda, o avicultor integrado da BRF, Dirceu Luiz Carraro, que trabalha há 40 anos com aves, expôs a experiência da sua propriedade, considerada exemplo chapecoense em questão de biosseguridade. Carraro explicou que quando um lote de aves é ameaçado, por exemplo, por uma bactéria como a salmonela galinora, além de perder a produção e arcar com as despesas de esterilização do local, o produtor ainda ficará um período sem poder produzir. “Para o avicultor não correr o risco de ter prejuízos, é extremamente importante a atenção para a biosseguridade”, alerta. O avicultor possui três aviários e produz três lotes por ano, isso representa o abate de um dia
O maior produtor integrado da BRF atualmente, Claudir Castanho (54), possui na Linha Alto da Serra, 12 aviários de peru. Sua produção de 110 mil aves ao ano representa um turno e meio de abate na agroindústria. A avicultura é uma das principais fontes de sustento de sua família, desde os anos 80, quando seu pai começou a trabalhar com uma produção pequena. Castanho explica que a lucratividade para o avicultor depende principalmente da biosseguridade e da conversão alimentar. “Para garantir isso, é muito importante ter cuidado com as questões de sanidade e controlar para que a entrada de pessoas esteja sempre dentro dos padrões de esterilização exigidos pela legislação”, completa. Tomando os cuidados necessários, a propriedade de Claudir está livre de doenças a mais de 6 anos.
O encontro demonstrou que a região ainda possui um potencial a ser explorado na área da avicultura e um dos principais pontos de atenção deve ser a questão da biosseguridade, como explorou o diretor de Sanidade da Acav, Paulo Roberto Pelissaro. “É importante investir em tecnologia, mas se não houver um cuidado para que as produções estejam livres de ameaças, o investimento será perdido”, destacou.





















