Volume embarcado aumentou quase 9% nos primeiros oito meses de 2013 em relação ao mesmo período de 2012.
Desvalorização do peso faz exportação de carne bovina argentina subir
As exportações de carne bovina da Argentina voltaram a crescer neste ano, pela primeira vez desde 2009. Segundo dados divulgados ontem pela Câmara de Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da Argentina (CICCRA), uma entidade que está rompida com o governo do país, o volume das exportações de carne bovina com osso aumentou para 133 mil toneladas de janeiro a agosto, ante 122 mil toneladas nos oito primeiros meses do ano passado.
A recuperação de 8,8% no volume interrompe uma sequência de quedas cuja origem remonta a 2006, quando o governo argentino interveio no comércio de carne bovina para direcionar a produção para o mercado doméstico. As exportações de carne bovina da Argentina chegaram a 482 mil toneladas nos primeiros oito meses de 2005. Registraram aumentos conjunturais em 2007 e em 2009, por conta de picos de produção decorrentes do aumento no abate de vacas, mas desde então só recuavam. O resultado das exportações no período em 2012 foi o segundo menor da história, de acordo com o CICCRA (ver gráfico abaixo).
O CICCRA atribuiu a recuperação à desvalorização acentuada do peso argentino em relação ao dólar. O Banco Central argentino acelerou a correção cambial depois que limitou a venda de divisas apenas para comércio exterior e turismo, há um ano e meio. Este ano, o peso argentino perdeu 16,7% do valor, indo de 4,91 para 5,73 unidades por dólar.
Com isso, a carne argentina recuperou competitividade em seus principais mercados: União Europeia, Rússia, Chile e Israel. Em movimento financeiro, os dados consolidados de janeiro a julho pela CICCRA (agosto não está incluído) mostram que a receita argentina com as exportações de carne bovina congelada, fresca, processada e de Cota Hilton (cota preferencial na União Europeia) aumentou de US$ 564 milhões, em 2012, para US$ 613,7 milhões neste ano, enquanto a venda de miúdos e derivados subiu de US$ 55,9 milhões para US$ 62,8 milhões.
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Conforme o Senasa, órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Pesca, cerca de 10% do total exportado, ou 13,4 mil toneladas, faz parte da Cota Hilton, cujo valor por tonelada está em torno de US$ 14 mil, ou cerca de três vezes mais que o preço da carne no mercado internacional. A Cota Hilton argentina é atendida majoritariamente por companhias com capital brasileiro, como a JBS e a Marfrig.
O relatório do CICCRA mostra que a produção argentina de carne mantém a tendência de crescimento que já marcou o ano passado e atingiu 1,88 milhão de toneladas nos oito primeiros meses do ano, uma alta de 10,2%. O consumo de carne per capita no ano ficou em 62,2 quilos, o mais alto desde 2009.
Atualizando dados.
















