Expectativa é de maior austeridade fiscal e aumento da taxa básica de juros em 2015, afirma Genta.
Ajustes na economia vão ficar para 2015

Após três anos seguidos de deterioração das contas públicas, inflação elevada e crescimento mais baixo, a única certeza em relação a 2015 é que haverá ajustes na política econômica, independentemente do resultado das eleições presidenciais de 2014, na avaliação dos economistas consultados pelo Valor Data.
Os prováveis candidatos da oposição, Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE), sinalizam que, em eventual vitória, tendem a dar uma guinada ortodoxa na condução das políticas fiscal e monetária, diz Fernando Genta, economista-chefe da MCM Consultores. Caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita em 2014, o risco de perda de grau de investimento tende a pesar nas decisões do governo. Por isso, a expectativa é de maior austeridade fiscal e aumento da taxa básica de juros em 2015, afirma Genta.
A MCM estima que o superávit primário será de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, ante esforço fiscal de 1,3% no próximo ano. O Banco Central também fará parte desse ajuste. A consultoria espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumente a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de janeiro do ano que vem, encerrando o atual ciclo de aperto monetário. O Copom, no entanto, deve voltar a elevar juros no ano seguinte às eleições, em um total de 1,5 ponto percentual, levando a Selic para 11,75% ao ano ao fim de 2015.
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Na média, 16 economistas e instituições financeiras consultados pelo Valor Data projetam trajetória semelhante, com maior economia para pagamento do serviço da dívida, de 2,1% do PIB, enquanto a mediana das projeções para a taxa básica de juros ao fim de 2015 está em 11,25% ao ano.
O ajuste, afirma Genta, será suficiente para colocar a inflação em trajetória de convergência gradual para a meta e resultar em melhora das expectativas do mercado. Para 2015, por exemplo, a inflação deve ficar em 5,3%, no cenário da MCM, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrar 2014 em 6%. “Com a retomada da confiança e início das obras de infraestrutura, é possível que o potencial de crescimento da economia migre para algo entre 3% e 3,5%”, diz.
Marcelo Salomon, corresponsável de economia e estratégia para a América Latina do Barclays, também acredita que ajustes na condução da política econômica vão ocorrer em 2015. No cenário do Barclays, que se baseia nas pesquisas de intenção de voto atuais, a presidente Dilma Rousseff será reeleita e promoverá maior esforço fiscal em 2015, com aumento de 0,4 ponto do superávit primário, que passaria de 1,3% em 2014 para 1,7% em 2015. “Mas a sinalização é mais importante. Avaliamos que o governo vai indicar alteração da trajetória fiscal para os anos seguintes, para gradualmente voltar a ter superávit primário entre 2% e 2,5% do PIB”, afirma Salomon.
Esse cenário, diz, se baseia em declarações recentes de conselheiros próximos de Dilma, como o ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto, que vem argumentando pela necessidade de recomposição do superávit primário. “Além disso, a agenda do PT é se manter no governo e eleger um novo presidente em 2018. Para tanto, a economia vai ter que mostrar performance melhor”, diz Salomon.
Esse ajuste deve levar a uma alta da taxa de desemprego para 6,3%, mas a atividade econômica não será abalada. A projeção do Barclays é de expansão de 2,6% do PIB em 2015, puxado pelos investimentos, com alta de 2,8%, já que as expectativas devem responder ao maior comprometimento do governo com a solidez das contas públicas.
Mais pessimista, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, afirma que os ajustes recessivos necessários, com destaque para o aumento dos juros e do superávit primário, devem levar um crescimento zero da economia em 2015. “Se a presidente Dilma Rousseff for reeleita, o ajuste deve ser mais brando, mas no caso de a oposição ganhar, algo mais duro será feito para um período de bonança a partir de 2016”, disse.





















