Califórnia torna-se front da “encarniçada” guerra do foie gras entre EUA e França.
A guerra do foie gras entre EUA e França
Desde o arroubo de patriotismo culinário do início da década, quando a Câmara dos Deputados dos EUA tentou rebatizar as “french fries”, as batatas fritas, e passar a chamá-las de “freedom fries”, não se via uma batalha tão encarniçada nesse front. A polêmica com os franceses agora gira em torno do foie gras. Uma lei da Califórnia que passou a vigorar no início do mês proíbe a produção e a venda do patê de fígado de ganso. Os franceses, maiores produtores mundiais de foie gras, falam em retaliar e até iniciar uma campanha contra os vinhos californianos. No meio disso digladiam-se defensores dos direitos dos animais, por um lado, e fãs da iguaria, por outro.
Para quem não se lembra da história das “freedom fries”, tudo aconteceu por causa do sentimento antifrancês resultante da renhida oposição de Paris à invasão do Iraque, arquitetada por Washington em 2003. Agora, entretanto, não há nada de especialmente “antifrancês”, diz Julius Frank, ativista da Animal Protection and Rescue League. “Os métodos cruéis de produção é que estão sendo discutidos. Não importa se o foie gras vem da França ou não.”
O tratamento cruel a que o ativista se refere é o modo como patos e gansos são alimentados à força, por meio de um tubo, para que seus fígados se estressem. Quem já viu sabe que não é uma bela cena, para dizer o mínimo.
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Philippe Martin, presidente do Conselho Geral do Departamento de Gers, sul da França e uma das principais áreas de produção de foie gras, disse no início da semana que iniciaria uma campanha para que os restaurantes do país parassem de vender vinhos da Califórnia. Martin diz que o foie gras não é só um produto agroindustrial, e sim um componente cultural. “Essa lei nos fere culturalmente.”
De qualquer modo, mesmo que as 16 toneladas anuais de foie gras feitas da França signifiquem quase 70% da produção mundial, seu principal mercado continua sendo o interno. Os franceses consumiram no ano passado 75% do foie gras que produziram.
Pode parecer uma retaliação de maluco então. Afinal, apesar de a Califórnia produzir 90% dos vinhos americanos, muito pouco é exportado para a França.
O caso deve mesmo é afetar o bolso dos restauranteurs californianos. Quem vender foie gras receberá uma multa de US$ 1 mil e mais US$ 1 mil por dia que continuar a contrariar a norma.
A maior parte dos restaurantes do Estado já retirou o foie gras de seus cardápios. Mas há quem busque brechas legais, usando o “jeitinho californiano”. Alguns estão oferecendo foie gras de graça, pois a proibição é só de vender o produto. Outros são mais ousados. O Presidio Social Club, que fica em uma área federal pertencente ao Exército, continua a vender. “Afinal, não estamos legalmente em território da Califórnia”, diz em tom desafiador Ray Tang, dono do restaurante.





















