Para especialistas, mercado ainda inspira cuidados, mas não deve ter mudanças bruscas no próximo ano.
Positivismo em relação ao setor marca encontro técnico de avicultores

Ainda que este tenha sido considerado um ano de crise para a avicultura, devido ao aumento nos custos do milho e da soja – insumos essenciais das rações para frangos de corte, o VI Encontro Técnico Unifrango, que aconteceu nos dias 21 e 22 de novembro, em Maringá (PR), foi marcado pelo positivismo dos especialistas na área. O evento foi organizado pelo Comitê Técnico Sanitário do grupo, que é constituído por, no máximo, dois integrantes de cada uma das onze empresas participantes, e tem como principal objetivo propor medidas de ações direcionadas a proteção e aprimoramento das práticas de defesa sanitária animal.
De acordo com Cidinei Miotto, médico veterinário com MBA em Gestão Empresarial e diretor comercial da Nutron Alimentos, no último trimestre houve uma recuperação nos preços do frango, por causa da redução da oferta a partir do início do segundo semestre, o que auxiliou as empresas a sair do prejuízo. Por isso, Miotto prevê um cenário positivo para 2013, tendo o preço do frango estabilizado a um patamar mais elevado e um controle maior na cotação dos grãos. Dessa forma, para os próximos anos, segundo ele, a estimativa é que a atividade tenha expansão de 3% no país.
Apesar desse positivismo, Miotto ressalta a importância de o mercado atentar para fatores como sustentabilidade, bem-estar e sanidade animal, pontos estes, que têm se tornado mais presentes nos hábitos de consumo moderno. De toda forma, segundo o especialista, o Brasil continuará forte no mercado internacional, por sua qualidade de mão de obra, ao grande número de empresas e expansão contínua na demanda mundial por proteína animal.
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O manejo correto de vacinas, aditivos e nutrição também foi apresentado no evento como uma forma de maximizar os investimentos das indústrias no setor. O médico veterinário, mestre em Saúde Animal e diretor da unidade Negócios Aves da Pfizer Saúde Animal, Giankleber Diniz, trouxe situações reais para mostrar como esses fatores são importantes na recuperação de uma situação de crise.
Além disso, o médico veterinário especialista em Ciências Aviárias José Luiz Januário, técnico da Cobb-Vantress, mostrou aos participantes a necessidade de investimentos na área de tecnologia a favor do bem-estar das aves. De acordo com Januário, o Brasil ainda precisa evoluir na estrutura de criação desses animais. Para ele é necessário dispensar uma atenção especial à remoção do calor produzido pelas aves. “Devido às mudanças bruscas na amplitude térmica em um único dia, o Paraná teve perdas significativas na produção de frango no mês de outubro, quando ainda estávamos na primavera”, explicou.
Outro tema debatido durante o evento foi a revisão das Instruções Normativas 56 e 59, as últimas novidades sobre o assunto foram trazidas por Inácio Kroetz, diretor-presidente da Adapar, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná. A IN 56, de 2007, é resultado da preocupação do setor comercial com a biossegurança, principalmente pela possibilidade da influenza de alta patogenicidade. Essa instrução trata da necessidade de que medidas de prevenção e contenção sejam adotadas e planejadas, para que a sanidade das aves seja garantida e o mercado de exportação mantido. As medidas de segurança tiveram um prazo estabelecido pela IN 56 e, três anos mais tarde, a IN 59 foi criada para ampliar esse prazo que se encerra em dezembro deste ano. Com muito trabalho ainda a ser feito, é provável que o setor não conclua o planejado até esta data. Por isso, há a necessidade de se discutir os rumos da biossegurança na avicultura, buscar alternativas viáveis e não só prorrogar esses prazos. Na oportunidade, Kroetz apresentou, também, as ações da nova autarquia.
Cenário mundial
O ex-ministro da Fazenda e economista, Maílson da Nóbrega foi quem abriu oficialmente o Encontro, trazendo aos participantes um panorama de como está a economia mundial e nacional. Em sua palestra ele explicou os motivos que levaram a Europa à crise em que se encontra há seis anos, e que se acentuou em 2008. Em linhas gerais, o ex-ministro mostrou o porquê de o Euro não correr o risco de se desintegrar, já que é uma forma de unir os países europeus. Mas, para ele, apesar disso, a Europa ainda não está pronta para ter uma moeda única. É preciso que os países tenham, acima de tudo, uma união fiscal ou algo centralizado, capaz de agir nas situações de crise e nas emergências, e transformando a União Europeia em uma área monetária ótima.
Especificamente falando de Brasil, de acordo com o ex-ministro, os riscos econômicos específicos para o país seriam a desintegração do euro e a desaceleração forte da economia da China. Nos próximos anos, portanto, o Brasil vai lidar com um cenário internacional semelhante ao de hoje, com os países da Europa em recuperação e a China crescendo a passos largos. Dessa forma, o Brasil depende muito mais dele do que de uma mudança na economia europeia. Além disso, o Brasil hoje tem muito mais capacidade de lidar com a crise do que antes. Segundo ele, o cambio hoje é mais fixo do que flutuante e o país está chegando a quase US$ 400 bilhões em reservas internacionais, ou seja, o país tem mais em caixa em moeda estrangeira aplicada em títulos públicos, do que deve. “O mundo deve mais ao Brasil do que o Brasil ao mundo, algo inédito”, diz.





















