Suinocultores precisam driblar carência de mão de obra. Grande desafio do campo é competir com a indústria para “cativar” trabalhadores.
Sem trabalhadores

Um dos palestrantes do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura deste ano é o gerente de Produção de Suinocultura da Cooperativa Agroindustrial Lar, de Medianeira (PR), Dirceu Zotti. Na sua abordagem, ele chama atenção para o fato da gestão participativa na administração da propriedade, para que cada um se conscientize da sua responsabilidade colaborando com a instrumentalização do produtor na formação do quadro de pessoal. Outro aspecto abordado, informa o profissional, é a necessidade de automação das granjas.
Zotti destaca que já está havendo carência de profissionais nas propriedades e é um problema que deve se agravar ao longo dos anos. “Hoje em dia já está difícil a contratação de pessoas para trabalhar no campo, principalmente na lida com animais”, expõe. Na opinião de Zotti, o maior gargalo para o campo, no que tange à gestão de pessoas é a concorrência com as indústrias para cooptar pessoas para o trabalho. Ele reconhece que as pessoas tendem a migrar para o trabalho na cidade, com vistas a alguns benefícios, como a carga horária, a disposição de folgas, entre outros. “Para concorrer com as indústrias, o campo precisa ter um diferencial para atrair trabalhadores. Hoje essa concorrência é uma grande dificuldade em todo o Brasil”, menciona.
Para Zotti, o diferencial do qual fala é, em grande parte, proporcionar qualidade de vida igual ou superior ao que a indústria permite o trabalhador ter. “Precisa ter um ambiente adequado dentro das granjas, um local onde a valorização do profissional seja uma constante no desempenho das atividades, para que o trabalhador se sinta importante e parte do processo, bem como deve haver investimento na qualificação”, destaca ele, segundo o qual é necessário o treinamento constante para estar qualificando os trabalhadores. “Isso motiva a sentirem-se parte do processo. Não adianta contratar uma pessoa e deixar ela executar as tarefas sem a devida qualificação”, orienta.
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5S na propriedade
O 5S aplicado na granja, diz o gerente de produção da Lar, é uma ferramenta importante do dia a dia, de maneira que o trabalhador incorpore a ideia e também leve para sua casa. Ele avalia que é necessário envolver os trabalhadores na gestão justamente por ser um processo onde se lida com vida, ao contrário das indústrias onde sua participação é quase automatizada. “Fazer as pessoas se sentirem bem,imprimindo sempre um sentimento positivo no ambiente. Nesse contexto o dono da granja precisa ter o espírito de liderança e, mais que isso, empreender a liderança participativa e mobilizar as pessoas pelos exemplos, com motivação para estarem de bem com o trabalho e consequentemente fazendo o melhor que pode para aquele processo”, explica Zotti, lembrando que por muito tempo a ideologia era do “eu mando e você obedece”, que atualmente não funciona mais.
De acordo com o profissional, quando se trata de uma propriedade familiar, o processo é mais tranquilo, contudo quando o produtor depende totalmente da mão de obra contratada, se não conseguir promover essa gestão participativa, pode estar fadado a não conseguir contratar mão de obra adequada. “O diferencial pode até ser o melhor salário, mas com o tempo não será somente isso que vai segurar o trabalhador”, avalia.
Tecnologia
Para Dirceu Zotti, a utilização de tecnologia, através da automatização de processos está minimizando o problema da carência de mão de obra. Ele avalia que as granjas brasileiras já estão seguindo o caminho das existentes na Europa e Estados Unidos, onde trabalham poucas pessoas em um processo maior. “Acredito que para o futuro quase todos os processos serão automatizados. Esse vai ser o caminho para o suinocultor se adequar a essa situação de menos pessoas envolvidas no processo produtivo”, pontua ele. Porém, o especialista analisa que as pessoas que seguirem trabalhando no setor serão mais especializadas, com maior conhecimento e maior grau de escolaridade. “É um fato que já vem acontecendo, mas é algo que vai se tornar cada vez mais necessário (a presença de pessoas especializadas nas granjas)”, analisa.
Perfil
Na opinião do profissional, atualmente, para trabalhar em uma granja de suínos não precisa necessariamente ser menos ou mais inteligente e nem mesmo intelectual, contudo, precisa ser alguém com disponibilidade e que goste de verdade de trabalhar com animais, além de ter vontade e motivação para continuar aprendendo sempre, gerando a melhoria continua do processo. Ele cita que no dia a dia do seu trabalho conhece trabalhadores que, de meros ajudantes, devido ao seu empenho pessoal e por gostarem do que fazem, tornaram-se gerentes com resultados surpreendentes. “Isso é um grande exemplo de que o profissional precisa amar o que faz para ter sucesso”, acrescenta.
Por muito tempo, para trabalhar numa propriedade rural, eram contratadas famílias. Dirceu Zotti diz que mais importante do que estar a família no local é preciso manter somente quem se identifica e se sente bem no local, quem tem afinidade com o trabalho. “Pode trabalhar a família, mas desde que todos se sintam bem porque o indivíduo precisa estar integrado”, declara.





















