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Economia

Avicultura brasileira preocupada com mercado mundial

Presidente da Acav avalia situação atual de mercado e traça expectativas para o setor até o final do ano.

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Avicultura brasileira preocupada com mercado mundial

Há nuvens negras no horizonte da economia mundial, mas, o setor de produção de alimentos cárneos no Brasil será relativamente pouco afetado: não se atingirão os resultados desejados, mas o balanço final será razoável. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Clever Pirola Ávila, que nesta quarta-feira abre, em Balneário Camboriú (SC), a nona edição do Simpósio Nacional de Avicultura.

Conhecido na área como Simpósio Técnico de Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição, o evento prossegue até sexta-feira (23), reunindo 500 especialistas do setor no centro de convenções do Hotel Sibara.

No cenário da avicultura industrial brasileira, Santa Catarina é o segundo maior produtor de aves do Brasil e o maior exportador. O faturamento é de mais de 1 bilhão de dólares em vendas externas e o volume anual de abates é de aproximadamente 700 milhões de aves. O Estado reúne 13.000 avicultores, dos quais 10 mil são integrados às agroindústrias. O setor emprega diretamente 40 mil pessoas e, indiretamente, mais 80 mil.

Ávila analisa o quadro atual do mercado de carnes e as perspectivas para o fim de ano.  Um dos mais experientes executivos da indústria brasileira de carnes, com 32 anos de atividade na área, Ávila é engenheiro químico pós-graduado em processamento de alimentos. Tem 53 anos de idade e é natural de Criciúma (SC).

Qual é a expectativa da avicultura para este final de ano?

Clever Pirola Ávila – A avicultura manterá o ritmo de crescimento levemente acima do crescimento vegetativo, porém com resultados aquém do necessário.

O nível de consumo deve crescer ou as previsões de uma possível nova crise internacional afetará o ânimo dos consumidores?

Ávila – A tendência natural de busca de proteínas animais focadas em saudabilidade e competitivas manterá o nível de crescimento, apesar da potencial nova crise financeira.

O fornecimento de matéria-prima (aves, suínos e bovinos) nos frigoríficos nesse fim de ano estará em níveis normais ou a eventual escassez de uma dessas carnes influenciará o consumo das demais?

Ávila – Estamos em descompasso com as três proteínas animais disponíveis: a área de aves continua no seu ritmo normal, o segmento de suínos está altamente impactado pelas restrições da Rússia e o mercado de bovinos tem falta de oferta. Desta forma, o consumo se adaptará as ofertas e preços disponíveis, abrindo uma oportunidade para o aumento de consumo interno da carne suína. As matérias-primas grãos continuarão impactando nos custos de produção de forma acentuada, tendo em vista o seu patamar de preços – que levam o Brasil a ter um superávit com as exportações.

Essa reação (valorização) do dólar em relação ao real deve se manter ou é uma bolha passageira?

Ávila – Deve se manter num patamar levemente mais alto em função da perda de credibilidade das economias da Grécia, Itália, Espanha e Portugal em honrar seus compromissos e da dificuldade política de aplicar medidas saneadoras.

Houve muita comemoração, mas, até agora, não ocorreram negócios com a China. Na sua opinião, vamos conquistar este ano o mercado chinês?

Ávila – Devemos sempre comemorar as conquistas feitas. Conquistamos o acordo bilateral das condições sanitárias e saúde pública. Nosso desafio agora é buscar as licenças de importação chinesas, as quais são obtidas em outro órgão e daí a morosidade para iniciar – precisamos tirar desta inércia – com muito esforço privado e governamental.

O Japão importa carne de frango do Brasil há mais de 30 anos e, agora, pode aprovar a importação de carne suína. Nesse caso, vai reduzir a oferta de carne no mercado interno. Isso pode impactar nos preços das carnes em geral, consumidas pelos brasileiros?

Ávila – Na realidade não haverá impacto nenhum no mercado interno, mas sim uma substituição das exportações para a Rússia, sendo direcionadas para o Japão.

A previsão em todos os mercados do mundo é de aumento nos preços dos alimentos, especialmente das carnes. Como deve ficar a situação no Brasil?

Ávila – O Brasil conta com um efetivo controle da inflação, seja pela ferramenta dos juros, controle do crédito, pelo superávit fiscal primário e ainda pela importação de alimentos. Teremos os impactos dos preços de alimentos ao nível de sazonalidade da oferta, porém, sem afetar a meta de inflação.

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