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Angentinos barram alimentos

Argentina cria barreira a alimento importado. Objetivo, segundo autoridades, é conter a importação de produtos europeus.

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Tendo a crise europeia como justificativa, a Argentina começará a barrar a entrada de alimentos importados no país, a partir de 1º de junho. Comunicada informalmente às grandes varejistas, a medida visa conter a importação de produtos europeus, mas pode acabar afetando, ainda que marginalmente, produtos brasileiros.

Só serão alvo das restrições itens com similar nacional. Massas e molhos italianos, cervejas alemãs e irlandesas, pêssego em calda grego, presunto cru e azeites espanhóis são exemplos de bens que deverão ser vetados. A Secretaria de Comércio Interior acredita que a perda de valor do euro e a volta da crise à Europa estimulam produtores locais a despejar mercadorias em terceiros mercados.

Alimentos que não concorrem com fabricantes argentinos, como palmitos e café, ficarão de fora da medida. A dúvida é o que ocorrerá com os produtos intermediários – aqueles com produção nacional, mas insuficiente para atender a demanda interna. Nessa lista não estão apenas quitutes para usufruto da classe média, mas alimentos de consumo popular.

Um grupo de importadores confirmou ao Valor que o governo deixou clara a intenção de vetar a entrada de milho brasileiro. O temor é que a restrição se estenda a outros produtos, como carne suína e tomates enlatados. A preocupação dos importadores é com o desabastecimento de alguns itens específicos e com a alta de preços, pela queda da concorrência.

A partir de 10 de junho, fiscais da Secretaria de Comércio Interior percorrerão os supermercados para garantir o cumprimento da medida. O secretário Guillermo Moreno, um dos funcionários de maior poder no governo de Cristina Kirchner, tem sido o principal responsável pelas fracassadas políticas de combate à inflação.

“Foi uma surpresa desagradável, pode prejudicar muitas empresas brasileiras, mas acredito que é apenas algum tipo de pressão para poder negociar outras coisas”, avalia Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), que acredita em uma mudança de posição do governo argentino. O presidente da Abia diz confiar no poder de negociação do governo brasileiro.

O pano de fundo da medida é a deterioração da balança comercial argentina. No primeiro trimestre, as importações cresceram 33%, ritmo três vezes maior que a expansão das exportações, cujo crescimento foi de 11%. Isso fez o saldo de janeiro a março cair para US$ 2,1 bilhão. No mesmo período de 2009, era de US$ 3,5 bilhões.

Para a consultoria Abeceb.com, o veto aos alimentos importados terá “baixo impacto” sobre as contas externas. A Argentina importou US$ 6,3 bilhões da União Europeia em 2009, mas apenas US$ 139 milhões foram em alimentos. Os os importados representam em torno de 3% dos produtos oferecidos nos supermercados, mas a proporção é maior na capital.

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