Redação (16/03/2009) – A agência classificadora de risco Moody’s anunciou na última sexta-feira (13) ter rebaixado os ratings em moeda local e de dívida garantida em moeda estrangeira da Sadia de B1 para B2. Além disso, as perspectivas das notas continuam negativas, o que indica possibilidade de novas reduções.
“O rebaixamento para B2 foi impulsionado pelos recentes sinais de condições de mercado de exportação de aves mais fraco do que o esperado, o que provavelmente pressionará a geração de caixa da Sadia”, explicou o vice-presidente e analista sênior da Moody’s, Soummo Mukherjee.
Segundo o especialista, o rebaixamento também incorpora a expectativa de que a Sadia provavelmente manterá uma elevada alavancagem e fraca liquidez comparada com outras empresas da indústria com o mesmo rating.
No ano passado, a empresa anunciou a perda de quase R$ 800 milhões por conta de exposição alavancada no mercado de derivativos cambiais. Isso custou a demissão do então diretor financeiro da empresa, Adriano Ferreira.
“Além disso, as atuais condições do mercado de crédito e a alta alavancagem da Sadia provavelmente farão com que os custos dos juros aumentem materialmente em 2009, o que, quando combinado com as necessidades esperadas de capital de giro e investimentos, provavelmente levará a um fluxo de caixa livre negativo em 2009.” acrescentou Mukherjee.
Liquidez fraca
Conforme a Moodys, a perspectiva negativa deve-se principalmente ao perfil de liquidez no geral mais fraco da Sadia dado o significativo volume de vencimentos da dívida no curto prazo e o risco de refinanciamento relacionado aos relevantes vencimentos de empréstimos com banco, cuja maior concentração será em Setembro de 2009.
“Entretanto, a Sadia mantém um caixa disponível de aproximadamente R$ 1 bilhão e, segundo a companhia, tem conseguido rolar dívidas de curto prazo existentes nas condições atuais de mercado”, comentou o documento.
Em 30 de setembro de 2008, a Sadia tinha aproximadamente 50% de sua dívida total denominados em dólares, os quais, com a adicional desvalorização de 22% do Real, , aumentariam a dívida total da Sadia em um adicional de R$ 900 milhões. A agência classificadora de risco espera um fluxo negativo de caixa.