Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 66,45 / kg
Soja - Indicador PRR$ 120,17 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 125,93 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 8,81 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 5,56 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 5,67 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 5,27 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 5,18 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 5,42 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 156,60 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 156,52 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 174,22 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 178,89 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 148,58 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 167,80 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,34 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,36 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.339,61 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.227,34 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 180,12 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 152,10 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 165,67 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 179,88 / cx
Artigo

A velha política de transferir o ônus para a sociedade

Por Mauro Osaki, pesquisador da área de Custos Agrícolas do Cepea

A velha política de transferir o ônus para a sociedade

O governo federal ignorou o movimento de paralisação dos caminhoneiros e preferiu focar sua atenção nas negociações políticas para salvar o seu mandato. O que ele não esperava, no entanto, é que a greve conseguisse paralisar o Brasil. Pressionado e assustado com a rapidez da manifestação, o governo federal aceitou diversas exigências da categoria, mostrando sinais de sua incapacidade de gerenciamento de crises. Novamente, o governo praticou a velha política de transferir o ônus para a sociedade.

A tentativa de controle de preço não é uma prática nova na economia brasileira. Na década de 1950 foi criada a Comissão Federal de Abastecimento e Preços (Cofap), por meio da Lei 1522, que tinha autonomia administrativa de intervir no domínio econômico, visando assegurar a livre distribuição de produtos necessários ao consumo da população. Em 1962, no governo de João Goulart, criou-se a Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab), com status de autarquia federal, com poder de intervir no mercado, fixar preços e controlar estoques. 

A história mais recente sobre o congelamento de preço ocorreu em 1986, no governo Sarney, que implementou o Plano Cruzado. Uma de suas principais marcas era o tabelamento de preços dos alimentos, combustíveis, materiais de limpeza, serviços e até taxa de câmbio. Os fiscais da Sunab tinham o poder de fechar as lojas que descumprissem o preço fixado pelo governo. O plano funcionou no início, mas ficou insustentável. O controle de preço favorecia o consumo, mas o setor produtivo começou a ter sua rentabilidade pressionada, diminuindo sua oferta nas lojas e alguns produtos simplesmente sumiram. As exportações diminuíram, enquanto a importações cresceram, as reservas cambiais se esgotaram e a inflação disparou. Enfim, a economia entrou em colapso.

A medida do governo Temer fixa o desconto de 0,46 centavos no preço do litro do diesel e  estabelece um valor mínimo para o frete rodoviário. O subsídio no preço do diesel traz benefícios imediatos, porém terá consequências econômicas negativas para toda a sociedade, como redução nos investimentos e aperto de orçamentos públicos. 

Embora o valor mínimo de frete seja positivo para o caminhoneiro autônomo, deve-se lembrar que a decisão da contratação do serviço não será mais pelo preço. O contratante incluirá outros fatores competitivos para tomada de decisão, como qualidade do serviço, flexibilidade de rota, pontualidade, prazo e comprometimento. 

Outro exemplo é que o valor do frete pode viabilizar, no médio prazo, que as empresas invistam em frota de caminhões própria, declinando o serviço de transporte terceirizado. Assim, o preço do frete praticado no mercado pode sofrer deságio em relação ao valor tabelado, visto que os caminhoneiros autônomos teriam menor oferta de carga de transporte. Logo, a supressão da concorrência via preço pode contrariar a demanda exigida pelos caminhoneiros.

Para o setor agrícola, , a intervenção do governo no frete rodoviário gera impacto direto na formação de preço. No lado da receita, o preço recebido pelos produtores deve diminuir com elevação do frete. De acordo com dados do Cepea, o valor médio do frete rodoviário para transportar da soja entre a região de Sorriso (MT) e Porto Paranaguá (PR) subiu 44% no mês de maio em relação ao mês de abril (passando de R$ 300/t para R$ 433/t); para a região de Cascavel, a alta foi de 30% e, em Dourados (MS), de 53%.

Na outra ponta, o custo de produção deve subir com elevação dos preços dos insumos via taxa de câmbio e ajuste do frete. A desvalorização do Real frente ao dólar foi de 17,4% de janeiro a junho deste ano, impulsionando as cotações dos principais insumos indexados na moeda norte-americana. 

Quanto ao frete, o mercado de insumos registra momento de incerteza para o período de negociação da safra 2018/19. Normalmente, as empresas aproveitavam a carga de retorno para transportar o fertilizante importado do porto até as regiões produtoras. Contudo, as negociações finais dos fertilizantes estão paralisadas, pois existe um impasse no valor do frete entre a empresa de transporte e as importadoras de fertilizantes (trading), atrasando todo o cronograma de entrega de fertilizantes para as regiões produtoras. Os produtores que não adquiriram o fertilizante até maio podem amagar o reajuste do preço do adubo. 

Em Mato Grosso, por exemplo, o valor médio da tonelada do adubo intermediário cloreto de potássio ficou 14% mais caro em junho em relação ao mês anterior, segundo dados do Cepea. Nas regiões do Sul do Brasil, o reajuste médio do mesmo adubo foi de 8,2%. Essa transmissão do choque no preço deverá continuar nos próximos meses.

O maior problema na produção agropecuária será para os produtores com foco no mercado doméstico, visto que a margem de lucro está baixa, assim como a margem de ganho do caminhoneiro autônomo. Afinal, os dois agentes estão enfrentando o mesmo problema da baixa demanda de produtos e serviços devido à recessão econômica do Brasil. Enfim, o governo procurou resolver o seu problema, transferindo o ônus para a sociedade tanto no preço final do produto e serviço como na redução de investimento. 

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Cotação
Fonte CEPEA
  • Milho - Indicador
    Campinas (SP)
    R$ 66,45
    kg
  • Soja - Indicador
    PR
    R$ 120,17
    kg
  • Soja - Indicador
    Porto de Paranaguá (PR)
    R$ 125,93
    kg
  • Suíno Carcaça - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 8,81
    kg
  • Suíno - Estadual
    SP
    R$ 5,56
    kg
  • Suíno - Estadual
    MG
    R$ 5,67
    kg
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    PR
    R$ 5,27
    kg
  • Suíno - Estadual
    SC
    R$ 5,18
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  • Suíno - Estadual
    RS
    R$ 5,42
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  • Ovo Branco - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 156,60
    cx
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    R$ 156,52
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    Grande São Paulo (SP)
    R$ 174,22
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    R$ 178,89
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  • Ovo Branco - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 148,58
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  • Ovo Vermelho - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 167,80
    cx
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,34
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  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,36
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  • Trigo Atacado - Regional
    PR
    R$ 1.339,61
    t
  • Trigo Atacado - Regional
    RS
    R$ 1.227,34
    t
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 180,12
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Santa Maria do Jetibá (ES)
    R$ 152,10
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Recife (PE)
    R$ 165,67
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
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    R$ 179,88
    cx

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