A combinação de diferentes binômios de tempo e temperatura na pasteurização dos ovos baseia-se na eliminação de Salmonella spp. uma das principais bactérias associada às doenças transmitidas por alimentos
Pasteurização de ovos

O ovo é um alimento completo, com uma composição rica em vitaminas, minerais, ácidos graxos e proteínas de alta qualidade que reúnem vários aminoácidos essenciais de excelente valor biológico.
Por possuir baixo valor calórico, facilidade de digestão e alto teor de nutrientes, os ovos são ingredientes importantes na composição de dietas regulares e terapêuticas.
Além dessas características nutricionais, são utilizados como matéria-prima essencial para diversas formulações alimentícias, pois eles apresentam propriedades peculiares para os processos de emulsificação, de formação de espuma e de gelificação.
Leia também no Agrimídia:
- •Invasões de propriedades rurais crescem em 2026 e reacendem debate sobre segurança jurídica no campo
- •Capacitação em avicultura fortalece produção rural em Mocajuba (PA)
- •Produção animal: Brasil reforça protagonismo global com produtividade, preservação e bioenergia na Avicultura Industrial de Abril
- •Reino Unido suspende confinamento de aves ao ar livre após redução do risco de influenza aviária
Na indústria de alimentos os ovos processados são utilizados preferencialmente ao ovo “in natura” (ovo em casca), pois além de conservar sabor, cor, valor nutricional e propriedades funcionais, eles oferecem vantagens como melhor uniformidade, menor espaço de estocagem e facilidade de medir porções.
No entanto, durante o processamento, os ovos, quando quebrados, podem ser facilmente contaminados por microrganismos, sendo a pasteurização (tratamento térmico que tem como objetivo destruir todos os microrganismos patogênicos e reduzir consideravelmente os deteriorantes sem que ocorram alterações nas constituições nutricionais e sensoriais do produto final) uma importante alternativa tecnológica para a garantia da inocuidade desta matéria-prima alimentar.
Esse tratamento térmico pode ser aplicado separadamente para o albúmen ou para a gema, assim como, para o ovo integral em suas proporções naturais de gema e albúmen (Aragon-Alegron et al., 2005; Silva et al. 2017).
No Brasil, a pasteurização de ovo integral se caracteriza pelo aquecimento progressivo até no mínimo 60°C e a manutenção dessa temperatura por um período de 3,5 minutos.
Posteriormente, os ovos recém-pasteurizados devem ser refrigerados à temperatura de 2ºC a 5°C (Brasil, 1990).
A combinação de diferentes binômios de tempo e temperatura na pasteurização dos ovos baseia-se na eliminação de Salmonella spp., uma das principais bactérias associada às doenças transmitidas por alimentos (DTA).
Esses parâmetros podem variar de acordo com a legislação de cada país; nos Estados Unidos, por exemplo, a pasteurização de ovos integrais ocorre por 3,5 minutos a uma temperatura de 61,1ºC, enquanto na Comunidade Europeia a pasteurização é realizada sob o binômio de 64,4ºC por 2,5 minutos (EC, 1989; USDA, 2013).
O ovo pasteurizado pode ser contaminado de várias maneiras, incluindo a alta carga microbiana da matéria-prima, a falha do binômio tempo-temperatura na pasteurização ou a contaminação pós-processamento.
A pasteurização adequada e os processos de higienização dos equipamentos de pasteurização, de refrigeração e de armazenamento do produto são fatores determinantes para seleção da microbiota residual final (Hara-Kudo e Takatori, 2009).
Alterações quanto as características sensoriais, sabor de ovo cozido, e quanto ao rendimento industrial do produto, como por exemplo: a redução na capacidade de formar “clara em neve” e a redução na viscosidade, podem também ser observadas quando os ovos integrais são submetidos à parâmetros acima dos indicados para os binômios de tempo e temperatura de pasteurização.
Essas alterações ocorrem, principalmente, em consequência da desnaturação de proteínas presentes no albúmen e lipoproteínas na gema.
Confira a matéria completa na edição 1285 da revista Avicultura Industrial:





















