Entidades do setor apontam risco de perda de competitividade, pressão nos preços e possível desabastecimento com revisão de medida antidumping
Setor de proteína animal alerta para alta de custos com embalagens e risco de inflação dos alimentos

Uma nota divulgada na tarde desta segunda-feira (11) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) acendeu um alerta sobre o avanço nos custos das embalagens utilizadas na cadeia de proteína animal e os possíveis impactos no preço dos alimentos. O posicionamento reúne entidades do setor e destaca preocupações com medidas em discussão no país.
Essenciais para garantir segurança sanitária, maior tempo de conservação e viabilidade logística das exportações, as embalagens para produtos congelados e processados já vêm sendo impactadas pela alta das resinas no mercado internacional, que acumulam aumento próximo de 70% desde a intensificação do conflito no Oriente Médio.
De acordo com as entidades, o cenário pode se agravar ainda mais com a proposta de revisão da medida antidumping aplicada ao polietileno importado dos Estados Unidos e do Canadá. Atualmente em torno de US$ 200 por tonelada, a tarifa pode saltar para aproximadamente US$ 735 por tonelada, o que representaria um impacto adicional relevante sobre os custos da indústria. Segundo o setor, essa mudança deve gerar uma pressão extra de 16% a 22% nos custos das embalagens, a depender da tecnologia utilizada.
Leia também no Agrimídia:
- •Governo e setor dizem que exportações seguem até setembro e reforçam adequação às exigências da União Europeia
- •União Europeia retira Brasil de lista de exportação de produtos de origem animal
- •Pará confirma caso isolado de gripe aviária no Marajó
- •França e Polônia registram novos casos de gripe aviária
Com isso, o reflexo tende a chegar ao consumidor. A elevação de preços dos produtos, que já ultrapassa 5% em função da crise internacional, pode se aproximar de 10% caso as novas medidas sejam implementadas.
Outro fator que amplia a preocupação é a dependência brasileira de importação de resinas. Cerca de metade do volume importado pelo país tem origem justamente nos Estados Unidos e no Canadá, mercados diretamente atingidos pela medida. Ao mesmo tempo, fornecedores alternativos, como países do Oriente Médio, da Ásia e o Egito, enfrentam limitações de oferta em decorrência do cenário geopolítico.
Há ainda um ponto técnico considerado crítico pela indústria: os Estados Unidos são uma das poucas fontes globais com disponibilidade de resinas específicas, como as de base metaloceno e octenos, fundamentais para embalagens destinadas à cadeia de frio e produtos submetidos a baixas temperaturas — amplamente utilizadas pelo setor de proteína animal.
Diante desse contexto, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em conjunto com a Associação Avícola de Pernambuco (AVIPE), Associação Baiana de Avicultura (ABA), Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), Associação Cearense de Avicultura (ACEAV), Associação de Suinocultores do Espírito Santo (ASES), Associação dos Avicultores de Minas Gerais (AVIMIG), Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES), Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV), Associação Goiana de Avicultura (AGA), Associação Mato-Grossense de Avicultura (AMAV), Associação Paraense de Avicultura (APAV), Associação Paulista de Avicultura (APA), Associação Sul Brasileira das Indústrias de Produtos Suínos (ASBIPS), Instituto Ovos Brasil (IOB), Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (SINDICARNE-SC), Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (SINDIAVIPAR) e Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (SIPS), manifestaram preocupação com os possíveis efeitos em cadeia.
A nota conjunta diz ainda que, entre os principais riscos, estão a inflação de alimentos, a perda de competitividade das exportações brasileiras e até o desabastecimento de insumos estratégicos. O setor defende a adoção de medidas emergenciais para mitigar os impactos, como a avaliação de mecanismos temporários de suspensão ou redução de alíquotas sobre a importação de insumos essenciais. A proposta, segundo as entidades, é preservar o abastecimento, manter a competitividade da produção nacional e evitar novos aumentos nos preços ao consumidor.























