Chuva intensa, ventos e mudança no padrão climático marcam a sexta-feira e indicam cenário de maior variabilidade nos próximos meses
Instabilidade avança pelo Centro-Sul enquanto El Niño é confirmado e deve ganhar força

A sexta-feira (12) será marcada por tempo instável em grande parte do Centro-Sul do Brasil, sob influência de um sistema de baixa pressão que evolui para um novo processo de ciclogênese no Atlântico Sul. A atuação conjunta de um cavado atmosférico e de uma frente fria mantém o transporte de umidade elevado, favorecendo a ocorrência de chuva frequente, temporais isolados e rajadas de vento que podem alcançar 70 km/h.
No Sul, a instabilidade predomina nos três estados. O Paraná deve registrar chuva persistente desde as primeiras horas do dia, com risco de temporais, enquanto Santa Catarina alterna períodos de precipitação moderada a forte. No Rio Grande do Sul, a chuva perde força na metade sul, mas ainda ocorre com intensidade no norte e em áreas litorâneas. A presença de nebulosidade mantém as temperaturas mais amenas, com queda mais acentuada à noite devido à entrada de ar frio.
No Sudeste, a chuva avança desde o período da manhã, especialmente em São Paulo, onde há previsão de pancadas fortes e trovoadas ao longo do dia. As instabilidades também atingem o Triângulo Mineiro e o sul de Minas Gerais, enquanto aumentam no Rio de Janeiro e no Espírito Santo entre a tarde e a noite. A maior cobertura de nuvens contribui para a redução das temperaturas em parte da região.
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O Centro-Oeste também segue com instabilidade, principalmente em Mato Grosso do Sul, onde há condições para chuva forte e temporais localizados. As precipitações avançam ainda para o sul de Goiás e de Mato Grosso, com ocorrência de trovoadas. A combinação de nebulosidade e ventos mais frios deixa o dia mais ameno em algumas áreas.
No Nordeste, a chuva permanece concentrada na faixa litorânea, com possibilidade de pancadas moderadas entre Pernambuco e o Rio Grande do Norte. Já o interior da região segue com tempo seco, calor e baixa umidade. Na Região Norte, o padrão típico se mantém, com calor e pancadas de chuva entre a tarde e a noite, especialmente em áreas do Amazonas, Pará e Amapá.
El Niño
Esse cenário de maior instabilidade ocorre no momento em que o padrão climático global passa por uma mudança relevante. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos confirmou oficialmente o início do El Niño, indicando que o fenômeno já está estabelecido e deve persistir ao longo dos próximos meses.
De acordo com os dados mais recentes, o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial já está acompanhado por alterações na circulação atmosférica, caracterizando o acoplamento necessário para a consolidação do fenômeno. A probabilidade de permanência do El Niño permanece próxima de 100% até o verão de 2027.
As projeções indicam ainda a possibilidade de intensificação significativa. Há 63% de chance de o evento atingir a categoria de muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027, o que pode colocá-lo entre os episódios mais intensos já registrados.
Historicamente, o El Niño altera os padrões de chuva e temperatura no Brasil. A tendência é de aumento das precipitações no Sul, com maior frequência de eventos extremos, enquanto áreas do Norte e parte do Nordeste podem enfrentar redução das chuvas e temperaturas mais elevadas. Em grande parte do país, também há indicação de calor acima da média.
Os efeitos mais consistentes devem se intensificar a partir da primavera, quando o fenômeno ganha força. Até lá, a combinação entre sistemas meteorológicos de curto prazo e a evolução do El Niño deve manter o cenário de variabilidade climática, exigindo atenção de produtores e setores sensíveis às condições do tempo.
Fonte: Climatempo























