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Deficiência técnica e tributária restringe qualidade do trigo no RS

O estado é o responsável por 90% da produção de grãos no país.

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As deficiências técnicas com armazenagem e segregação do trigo no Sul do Brasil vão prejudicar novamente a qualidade do grão na safra brasileira de 2009. A região é responsável por mais de 90% do grão produzido no País, sendo os estados do Paraná e Rio Grande do Sul os maiores produtores. A situação mais grave é no estado gaúcho, preterido pelo excesso de tributos interestaduais que encarecem a venda do produto e desestimulam o investimento em sementes de alto nível. Como a cultura é a melhor opção para a rotatividade da lavoura, muitos produtores optam plantar com insumos de menor custo. Pesquisadores, no entanto, negam que o trigo gaúcho seja de baixa qualidade e afirmam que os investimentos tem crescido nos últimos anos.

Os moinhos, por sua vez, dizem que o maior consumo é concentrado no trigo hard (tipo pão), enquanto o produzido no Rio Grande do Sul é o brando (tipo biscoito). Por esse motivo, as indústrias preferem importar da Argentina por causa da qualidade adequada e baixo custo, motivado pela ausência do ICMS cobrado nos estados. No Rio Grande do Sul, a alíquota do tributo é de 12%. Já nos estados de São Paulo e Paraná, o percentual cobrado caiu de 12% para 2%. Juntos, Paraná e Rio Grande do Sul produziram 5,2 milhões de toneladas em 2008, ante uma produção brasileira de 6 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Tarcísio de Mineto, analista econômico da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), reconhece a deficiência técnica na segregação dos grãos. No entanto, afirma que a questão de baixa qualidade não é verdadeira. “Os moinhos vão comprar onde está mais barato. A cobrança de tributos diminui a competitividade do triticultor gaúcho e reduz o preço pago no estado. Dessa maneira fica difícil investir em qualidade”, analisa. Informou ainda que o estado sofre com a instabilidade climática durante a colheita, o que demanda investimento em pesquisa.

Para Luiz Martins, presidente do Moinho Anaconda, o problema gaúcho é crônico. “Isso vem desde quando o governo comprava a produção. Só se destaca quem investe no tipo hard, que tem maior produtividade e remuneração”, explica. Em São Paulo, o executivo ajudou a desenvolver com a Secretaria da Agricultura o programa Trigo Paulista com Qualidade, que completa dois anos. “Os moinhos financiam a semente e garantem a compra do trigo. Funcionou tão bem que neste ano o interesse dos produtores cresceu”, completa Martins.

Conforme informações da Embrapa Trigo, 50% das cultivares gaúchas vendidas são do tipo pão. Eduardo Caierão, pesquisador da instituição, afirma que até o final de junho será lançada a cultivar BRS 296, mais resistente às instabilidades do clima e com melhor sanidade. “Os estudos existem, mas a falta de organização na segregação é o principal problema. É necessário mais união em toda a cadeia”. Por esse motivo disse não acreditar na auto-suficiência brasileira. “Enquanto não resolvermos isso, não adianta”, completa.

No Paraná, a Organização das Cooperativas do estado (Ocepar), estima que 80% da produção seja do tipo pão. “O processo vem desde a compra da semente de qualidade. Assim, só é preciso fazer a segregação se houver algum problema climático no campo”, explica Flávio Turra, gerente da Ocepar.

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