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Comércio Brasil x México

Acordo de livre comércio entre Brasil e México é tabu, diz Calderón. Ele atribuiu a “resistências recíprocas” a inexistência de um acordo bilateral entre os países.

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O presidente do México, Felipe Calderón, começa hoje (17/08) uma visita oficial ao Brasil, quando estará com o presidente Lula, mas no fim de semana ele teve uma agenda cheia de compromissos empresariais.

No sábado (15/08), ele esteve com empresários num encontro promovido pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e disse que um acordo de livre comércio entre o seu país e o Brasil é um “tabu”.

Calderón, no entanto, afirmou ter recebido com “muito interesse” a proposta de livre comércio bilateral apresentada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Conselho Empresarial Mexicano de Comércio Exterior (Comce).

O presidente mexicano se prontificou a apresentar a proposta a empresários, setores econômicos e grupos políticos mexicanos. “Uma integração maior e intercâmbio comercial entre o México e o Brasil está no caminho correto do desenvolvimento que queremos para nosso povos”, ressaltou.

Ele atribuiu a “resistências recíprocas” de grupos políticos e econômicos dos dois países o fato de não haver um acordo bilateral mais arrojado.

Para o presidente brasileiro do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), Marcus Vinicius Pratini de Moraes, existem dois fatores que dificultam a implementação de um acordo de livre comércio entre Brasil e México. O primeiro ponto são os compromissos do Brasil com o Mercosul. “O Brasil está amarrado ao Mercosul e é preciso desatar esse nó”, avaliou.

A outra dificuldade, segundo Pratini, é o fato do México ter a sua pauta de exportações quase totalmente (mais de 80%) voltada para os Estados Unidos. Para se viabilizar a proposta, seria necessário “libertar o México dessa dependência quase que exclusiva”.

Pratini acredita que a melhor alternativa para que o Brasil se posicione bem nas relações comerciais internacionais é a associação com mercados emergentes, como os países do Bric – grupo de países em que o país participa com a Rússia, Índia e China – e também com o México. “Se o Brasil quer realmente marcar espaço no mercado internacional, vai ter que fazer acordos bilaterais”, afirmou.

De acordo com o presidente da Ceal, a estratégia de desenvolver “grandes parceiros” contornaria o protecionismo europeu e a capacidade de crescimento limitada dos países da América do Sul.

Dados fornecidos pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) apontam o México com o país latino-americano que mais investe no Brasil. Em 2008, foram US$ 200 milhões. Neste ano, o Brasil exportou US$ 4,281 bilhões em mercadorias para o México e importou US$ 3,125 bilhões. A maior parte dos produtos comercializados entre os dois países foi de produtos industrializados.

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