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Agroindústrias

Marfrig eleva abates e espera custo estável

Empresa lucrou R$ 127,4 milhões e pretende atingir 70% de utilização de capacidade em bovinos.

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A Marfrig Alimentos, cujo lucro líquido caiu 68,5% no segundo trimestre deste ano, fechou o período com o nível mais elevado de utilização da capacidade de abate de bovinos no Brasil no passado recente. De acordo com o diretor de operações, James Cruden, apesar da oferta apertada de animais para abate, por causa da entressafra “rigorosa”, a empresa tem conseguido adquirir gado. “São os níveis mais altos já registrados”, disse Cruden, durante teleconferência com analistas sobre o balanço.

No segundo trimestre, a Marfrig abateu 621,4 mil bois, 14,6% mais do que no primeiro trimestre. Consideradas todas as plantas em operação, a utilização de capacidade foi de 61,2%. A meta, segundo Cruden, é atingir 70% em 60 a 90 dias, apesar da oferta apertada, que eleva os preços do boi e limita operações. 

O aumento da utilização será possível com a operação de fábricas que ainda estavam fechadas no trimestre passado. Segundo a Marfrig, houve atraso na abertura de seis plantas de abate (arrendadas em 2009) por conta, entre outras razões, de reforma, adequação e contratação de funcionários. As plantas têm capacidade de abate 6 mil animais por dia.

No total, a receita bruta da Marfrig somou R$ 3,770 bilhões no trimestre, 46,6% mais do que em igual período de 2009. Desse total, R$ 2,140 bilhões foram vendas no mercado doméstico. A divisão de bovinos no Brasil e food service teve receita de R$ 1 bilhão, um crescimento de 77,3% sobre o segundo trimestre do ano passado.

Conforme a empresa, o cenário foi favorável para o segmento, por causa da maior demanda doméstica. Também houve crescimento no exterior. De acordo com Ricardo Florence, diretor de planejamento e relações com investidores da Marfrig, houve aumento nas vendas para a Europa, que respondeu por 38,9% da receita com as exportações. “Teria sido melhor se não tivesse havido falta de embarcações”, ponderou.

Além do crescimento em bovinos, a receita da Marfrig também avançou com o aumento das vendas da divisão que está sendo chamada de Nova Seara. Ela compreende a empresa adquirida no ano passado da Cargill e outras unidades de aves e suínos da Marfrig.

Investimentos em marketing nas marcas Seara, Moy Park e Pemmican elevaram as despesas comerciais da Marfrig. Já o maior custo dos bovinos e o aumento na utilização das plantas no Brasil fizeram o custo de produtos vendidos da Marfrig subir 40,7% em relação ao segundo trimestre de 2009.

Florence observou que os preços mais baixos dos grãos no primeiro semestre tiveram impacto positivo na margem bruta, que ficou em 17,8% no segundo trimestre. Agora, soja e milho já fazem o caminho inverso, seguindo a alta do trigo no mercado internacional. Mas, segundo Mayr Bonassi, diretor da Nova Seara, o aumento dos grãos não deve elevar os custos da Marfrig neste trimestre. “Temos uma cobertura de grãos bastante confortável”, disse, explicando que a empresa fez estoques a preços mais baixos. No segundo trimestre, a Marfrig gastou R$ 861 milhões com compras de grãos, segundo Florence.

Marcos Molina, presidente da Marfrig, disse que, após a compra da americana Keystone, em junho, o desafio da empresa brasileira agora é fazer a integração dos negócios e buscar sinergias e eficiência maior nas operações do grupo.

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