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Embargo europeu pressiona ajuste sanitário na pecuária brasileira

Exigências sobre uso de antimicrobianos e rastreabilidade indicam mudança duradoura no acesso a mercados

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Embargo europeu pressiona ajuste sanitário na pecuária brasileira

A decisão da Comissão Europeia de vetar as importações de carne e produtos de origem animal do Brasil, com vigência a partir de 3 de setembro de 2026, vai além de um episódio pontual nas relações comerciais. O movimento se insere em uma tendência regulatória internacional que vem ganhando força e deve exigir mudanças estruturais da pecuária brasileira nos próximos anos.

A medida acompanha o avanço de regras mais rigorosas adotadas pela União Europeia, que desde 2022 aplica normas restritivas ao uso de antimicrobianos e passou a exigir que parceiros comerciais apresentem padrões equivalentes, especialmente no que diz respeito à rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva. Esse cenário está diretamente ligado à agenda global de combate à resistência antimicrobiana.

O Brasil chega a esse momento com desafios acumulados. Do ponto de vista regulatório, ainda não consolidou um protocolo de uso prudente de antimicrobianos com rastreabilidade auditável compatível com o exigido pelos europeus. O próprio governo reconhece essa lacuna ao sinalizar o envio de documentação técnica como resposta ao embargo, sem indicar um prazo definido para adequação completa.

No campo sanitário, há também entraves operacionais. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil alertou, na última quinta-feira (14), para a falta de vacinas em cadeias como a bovinocultura, suinocultura e avicultura. Esse cenário eleva o risco de doenças nos rebanhos e pode ampliar a dependência de antimicrobianos como medida de controle, justamente o ponto central das críticas europeias.

Enquanto isso, o Ministério da Agricultura busca ampliar destinos para a produção brasileira, com abertura recente de mercados como Coreia do Sul, Canadá e Chile. A estratégia reduz a dependência de compradores tradicionais, mas não resolve a diferença de valor agregado, já que esses mercados, em geral, não oferecem os mesmos prêmios pagos pela União Europeia nem seguem os mesmos critérios de exigência sanitária.

Em paralelo, a decisão do Conselho Monetário Nacional de adiar para 2027 as restrições de crédito rural a produtores envolvidos com desmatamento indica uma opção por aliviar pressões no curto prazo. Ao mesmo tempo, prolonga o descompasso com critérios ambientais e sanitários cada vez mais presentes nas exigências de importadores e grandes compradores globais.

Nesse contexto, a tendência é que produtores e empresas que conseguirem avançar na adoção de protocolos auditáveis, rastreabilidade eficiente e práticas alinhadas às exigências internacionais estejam mais bem posicionados para acessar mercados de maior valor nos próximos ciclos.

Fonte: Comissão Europeia, CNA, MAPA, CMN (via Agência Brasil)

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