Em fato relevante divulgado ao mercado, o grupo Kepler Weber informou que entrou com pedido de recuperação judicial com o “objetivo de propiciar condições para a superação das dificuldades econômico-financeiras enfrentadas pela empresa”.
Kepler Weber tenta evitar a falência na Justiça
Redação (06/06/07) – Com prejuízos de R$ 250 milhões em 2006, a Kepler Weber recorreu à Lei 11.101/2005, conhecida como Lei de Falências, na tentativa de se reerguer.
Com o instrumento, a companhia ganha tempo para renegociar débitos com os credores. A dívida total da Kepler Weber atinge R$ 308 milhões. A empresa está sem crédito com fornecedores e só obtém matérias-primas com pagamento à vista. O capital da Kepler Weber está dividido entre três fundos de pensão: Previ (24,68%), Aerus (24,70%) e Serpros (24,70), além de 24,68% pertencentes ao Banco do Brasil. Apenas 1,24% está disperso na Bovespa.
Segundo fontes do mercado, os problemas da Kepler Weber teriam iniciado em 2004, quando a empresa fez uma grande compra de insumos a preços elevados, acreditando em uma demanda maior por silos no ano seguinte. Contudo, devido à estiagem que assolou o agronegócio em 2005, a Kepler entrou em crise.
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Dois anos atrás, a empresa também havia inaugurado uma fábrica em Campo Grande (MS), um investimento de R$ 35 milhões. A unidade foi desativada em novembro de 2006, resultando na demissão de 1,5 mil funcionários.
Vinícius Piazzeta, sócio da Pactum Consultoria Empresarial, explica que, antes mesmo da elaboração de um plano de recuperação, o juiz nomeado para ser o administrador judicial da recuperação busca verificar a viabilidade do plano a ser elaborado. "O juiz pede três balanços, relatórios de fluxo de caixa, relação de credores e lista de ativos, entre outros", explica Piazzeta.
Deste modo, o magistrado terá uma visão global da companhia, avaliando se o futuro plano poderá mesmo ter resultado positivo. Com a anuência do juiz, a companhia deve apresentar o plano em 60 dias, que deve ser aprovado pelos credores. "Se em seis meses a organização não colocar em prática as mudanças, a saída será a falência", avisa o advogado .
Piazzeta ressalta que o objetivo primordial da Lei 11.101 é recuperar a companhia, preservando assim investimentos, empregos e produção. "Antes, os credores podiam dificultar um processo de saneamento, pois poderiam obter assim mais benefícios", explica. No caso da Kepler Weber, Piazzeta pondera que a companhia pode aproveitar o bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro este ano, em franco crescimento. "A fábrica de Campo Grande é um ativo interessante, que poderia ser vendido para diminuir as dívidas", completa Piazzeta.























