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Milho transgênico, novo reino das múltis

O mercado de sementes de milho geneticamente modificado tende a ficar concentradas nas mãos de multinacionais.

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Redação (19/10/06) – Diferentemente do que ocorreu no segmento de sementes transgênicas de soja, onde as vendas são realizadas principalmente por empresas nacionais, o mercado de sementes de milho geneticamente modificado tende a ficar concentradas nas mãos de multinacionais. Segundo José Roberto Perez, gerente-geral da Embrapa Transferência de Tecnologia, esses grupos detêm a tecnologia transgênica e preferem manter a exclusividade sobre os genes que desenvolveram.

“Quem já tem cultivares de milho e algodão transgênicos são as multinacionais, e elas dificultam a negociação para licenciar a tecnologia e permitir que outras empresas desenvolvam suas próprias cultivares”, afirma Perez. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) analisa a liberação comercial de variedades transgênicas de Bayer, Syngenta e Monsanto .

Ivo Carraro, presidente da Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (Braspov), diz que a demora da CTNBio para autorizar pesquisas de campo com milho transgênico desestimulou em parte a pesquisa no país. “Outra razão é comercial. As múltis querem assegurar uma fatia de mercado com antecedência”.

No caso da soja transgênica, 80% das vendas são feitas por brasileiras, segundo Iwao Miyamoto, presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). A Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec) produziu 50% das sementes disponíveis para o ciclo 2006/07, ou 3,5 milhões de sacas. A Embrapa responde por 31% (2,2 milhões de sacas) e o volume restante é ofertado por Pioneer (da DuPont), Monsoy (da Monsanto), Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa (Fundacep) e Fundação Mato Grosso (Fundação MT).

Na safra anterior, 60% das sementes foram produzidas pela Coodetec e 33% pela Embrapa. Gigantes como Dow Agrosciences e Syngenta Seeds ficaram fora do mercado. Não se pode esquecer que toda a venda de sementes transgênicas certificadas no país revertem em royalties para a Monsanto – única multinacional que conseguiu autorização da CTNBio para comercializar tecnologias transgênicas no país. E que situação semelhante ocorreu no algodão.

Até agora, a única tecnologia aprovada foi o algodão Bollgard, da Monsanto, resistente a insetos. Esta, por sua vez, possui um contrato de exclusividade com a Delta & Pine e, por isso, somente a MDM Sementes tem autorização para vender a variedade nesta safra. “Como a Monsanto comprou a Delta & Pine globalmente, a expectativa é que a empresa reveja essa cláusula e licencie para outras sementeiras”, avalia Carraro.

Para Perez, da Embrapa, preocupa o fato de as múltis já dominarem o mercado de sementes convencionais de milho e por cobrarem valores mais altos por seus produtos. Enquanto 1 quilo de semente de soja custa R$ 0,80 ao produtor, um quilo de milho híbrido é vendido a R$ 8. “O custo de produção de uma para outra não é tão diferente”, observa.

A Pioneer do Brasil iniciou este ano a venda de sementes transgênicas de soja e espera a liberação do milho da Monsanto para entrar no segmento. A empresa detém 8% do mercado de sementes de soja (convencionais e transgênicas) e 33% no caso do milho. “A tecnologia tem o seu valor. Para ter acesso é preciso negociar. Mas aos poucos as empresas estão se abrindo para o licenciamento, que é uma forma de ampliar os ganhos”, afirma Roberto de Rissi, diretor executivo da Pioneer Brasil.

 

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