Soja e milho encerraram os negócios em seus limites de baixa para uma única sessão e o trigo também teve retração acentuada.
USDA acentua tendência de queda de grãos
Redação (13/10/2008)- Em um cenário já atormentado pelas turbulências do mercado financeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) amplificou, na sexta-feira, a tendência de queda dos preços das commodities agrícolas. Soja e milho encerraram os negócios em seus limites de baixa para uma única sessão e o trigo também teve retração acentuada.
Os dados do relatório deste mês, que apontaram aumento de produção mundial das três commodities em relação à projeção apresentada em setembro – e, no caso de soja e trigo, ampliaram também a previsão dos estoques finais da safra 2008/09, devem reverberar até pelo menos o início do próximo ano. Tradicionalmente, o relatório de outubro traz dados que não sofrem alterações significativas até janeiro, o que faz com que, no mercado, se costume dizer que o USDA "grava em pedra" as projeções de outubro.
A soja teve uma surpresa especialmente baixista. Na contramão da estimativa feita por analistas antes da divulgação de seu conteúdo, o levantamento mostrou previsão de aumento na produção mundial da oleaginosa – a expectativa era de queda em relação aos dados do mês anterior. A produção esperada é de 239,43 milhões de toneladas, 0,6% acima da previsão anterior e mais de 8% maior que a safra 2007/08. Com uma leve redução da estimativa de consumo, para 235,19 milhões de toneladas, a safra 2008/09 deve registrar estoques finais de 55,24 milhões de toneladas.
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"O relatório teve uma tendência baixista, mas não para isso que estamos vendo hoje [sexta-feira]. O mercado está com as atenções todas voltadas ao mercado financeiro", disse Renato Sayeg, analista da Tetras Corretora. "Isso tem ocorrido nos últimos 15 dias e deve durar pelo menos mais 30", avalia.
Na bolsa de Chicago, em uma semana marcada por grandes oscilações, os contratos de soja com vencimento em janeiro de 2009 recuaram o limite de 70 centavos de dólar, ou 7%, para US$ 9,2550 por bushel. Em três das cinco sessões da semana, a commodity subiu – nas outras duas, encerrou no limite de baixa de 70 cents. "Essa volatilidade, mais que qualquer outra coisa, é que impede a montagem de cenários futuros de preços", diz Sayeg.
O relatório previu que o Brasil não manterá a liderança nas exportações mundiais de soja em grão. A posição havia sido conquistada em junho, mas a diferença entre EUA e Brasil caiu gradativamente. Na nova projeção, as exportações brasileiras serão de 27 milhões de toneladas e as americanas, de 28,58 milhões.
Os contratos de milho que vencem em março de 2009 recuaram 30 centavos de dólar, ou 6,6%, para US$ 4,2575 por bushel. Como no caso da soja, o milho desceu ao seu limite de 30 cents em duas das cinco sessões da semana. O USDA aumentou a previsão da safra mundial e americana e também a dos estoques finais nos EUA.
"Os fundos ainda estão com posições relativamente grandes em commodities agrícolas. Eles têm sido forçado a liquidar contratos para cobrir perdas na bolsa ou os resgates dos cotistas", disse Vinicius Ito, analista da corretora Newedge, de Nova York. "Sem alternativa", como ilustrou Ito, o trigo também recuou na sexta-feira. Os contratos para março caíram 42,25 cents em Chicago, ou 6,7%, para US$ 5,8375 por bushel.























