Mesmo com safra robusta, setor registra queda de 5,5% no faturamento e mantém demanda por tecnologias no campo
Pressionado por custos e crédito restrito, mercado de fertilizantes especiais recua em 2025

O mercado brasileiro de fertilizantes especiais e biofertilizantes encerrou 2025 com faturamento de R$ 25,4 bilhões, resultado 5,5% inferior ao registrado no ano anterior, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo).
De acordo com a entidade, o desempenho foi impactado por uma combinação de fatores econômicos, como aumento dos custos de produção, juros elevados, restrição de crédito, inadimplência no agronegócio e dificuldades de repasse de preços ao produtor rural.
O cenário pressionou diretamente o comportamento dos agricultores ao longo do ano. Segundo o presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo, Roberto Levrero, o ambiente foi “extremamente desafiador”, levando produtores a adiar decisões de compra, negociar preços e adotar maior cautela na gestão da produção.
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Apesar da retração no faturamento, o volume de produtos comercializados se manteve praticamente estável, indicando que a demanda por essas tecnologias segue relevante no manejo agrícola.
O levantamento também aponta diferenças de desempenho entre os segmentos. Produtos mais ligados a commodities sofreram maior pressão sobre preços e margens, enquanto itens de maior valor agregado apresentaram maior resiliência, sustentados pela busca por produtividade e redução de riscos no campo.
Entre os destaques positivos, os biofertilizantes cresceram 76,7% em 2025, impulsionados pelo aumento de registros no Ministério da Agricultura, maior adoção no campo e entrada de novas empresas no segmento. Já os fertilizantes orgânicos avançaram 58,5%, favorecidos pela recuperação dos preços médios.
A soja ampliou sua participação nas vendas do setor, passando de 44,1% para 48,6%, consolidando-se como principal cultura consumidora desses insumos. Minas Gerais permaneceu como o maior mercado, concentrando 22% do faturamento nacional.
Outros segmentos também apresentaram crescimento. Os condicionadores de solo de base orgânica avançaram 19,4%, alcançando R$ 154 milhões, enquanto o mercado de substratos para plantas somou R$ 517,2 milhões, alta de 22,8%, influenciada pela elevação de preços diante da escassez de matérias-primas importadas.
Para 2026, a expectativa do setor é de continuidade da pressão sobre custos, especialmente pela dependência de insumos importados e pelo ambiente econômico ainda instável. Ainda assim, a indústria mantém investimentos em inovação, apostando em produtividade, eficiência e sustentabilidade como fatores estratégicos para o avanço da agricultura brasileira.























