O Independência fechou sete unidades no país, mas ainda tem quatro plantas onde as operações foram suspensas e não houve demissões em massa.
Independência retoma abates em Janaúba (MG)
Redação (8/4/2009) – Depois de demitir 6.200 pessoas e fechar sete unidades no país, o frigorífico Independência anunciou ontem a retomada das atividades de abate na planta de Janaúba (MG). A indústria, que tem capacidade de abate de 1.400 bovinos por dia, vai voltar a operar inicialmente com 400 cabeças por dia. Para tocar a operação foram chamados 300 funcionários – antes de a empresa pedir recuperação judicial, no fim de fevereiro, a unidade tinha 800 empregados.
De acordo com o diretor financeiro do Independência, Tobias Bremer, o que permitiu a reabertura de Janaúba foi um acordo feito com pecuaristas que fornecem bois para abate. "Eles aceitaram fornecer gado mesmo não tendo débitos antigos resolvidos", disse. Pelo que foi acertado, o Independência pagará os pecuaristas à vista. Antes de a empresa suspender suas operações no fim de fevereiro – alegando ter sido afetada pela crise financeira internacional -, os pagamentos a pecuaristas tinham prazo de 30 dias, como é usual no mercado de boi no país.
Ele afirmou que a empresa avalia a reabertura de outras unidades, mas isso dependerá de os pecuaristas também aceitarem vender gado sem que as dívidas antigas tenham sido pagas. "Depende de chegar a um acordo com fornecedores da região", disse.
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Bremer negou que já esteja definida a retomada das operações em Nova Andradina (MS), que foi fechada no fim de março, como circulou ontem no mercado. As informações eram de que o Independência recontrataria 209 funcionários, e abateria entre 600 e 800 bovinos por dia na planta que tem capacidade de 1.300 cabeças diárias.
O Independência fechou sete unidades no país, mas ainda tem quatro plantas onde as operações foram suspensas e não houve demissões em massa. Segundo o executivo, a empresa "acredita que deveria voltar a operar essas unidades", mas isso também vai depender de acordos com produtores.
Reafirmando que "não é possível operar no negativo", Bremer disse que, num primeiro momento, o Independência trabalhará apenas com carne com osso destinada ao mercado interno.
O pedido de recuperação judicial feito pelo Independência no fim de fevereiro ainda não foi deferido e, segundo Bremer, a empresa obteve mais prazo para a entrega da documentação à Justiça. Ele não comentou informações que circularam de que a empresa poderia desistir do pedido.
Desde que suspendeu suas operações de abate, no começo de março, o Independência está sem pagar pecuaristas e fornecedores. "Nossa prioridade é resolver os débitos com os produtores", reafirmou Bremer.
Indagado sobre a opção, em estudo pelo governo, de permitir que frigoríficos em dificuldades utilizem créditos tributários acumulados nas operações de exportação, para capital de giro, ele defendeu a eventual ajuda. Segundo Bremer, no caso do Independência esses créditos somam R$ 230 milhões. "Seria suficiente para pagar todos os pecuaristas e outros fornecedores", disse.
Bremer disse que a venda de ativos para levantar recursos não está em análise no momento pela empresa. Fontes de bancos afirmaram, na semana passada, que o Independência estaria em conversações para vender sua fábrica no Paraguai e também buscando a união ou acordo operacional com um grande player do setor.





















