Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 69,28 / kg
Soja - Indicador PRR$ 119,94 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 126,17 / kg
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Suíno - Estadual MGR$ 6,77 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,60 / kg
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Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 158,55 / cx
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Frango - Indicador SPR$ 7,31 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.173,45 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.086,74 / t
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Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 158,10 / cx
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A Saga Global do Algodão Brasileiro – Por Marcos Fava Neves

Fizemos uma revolução no campo, agora é hora de construir uma imagem sólida no exterior, com foco na Ásia

A Saga Global do Algodão Brasileiro – Por Marcos Fava Neves

Após uma esplêndida safra que nos permitiu ultrapassar a Índia e a Austrália, o Brasil chega à posição de segundo maior exportador mundial de algodão, o que vai gerar mais de US$ 2,5 bilhões em divisas no ano de 2019. Mantida a atual taxa de crescimento (10% ao ano), antes de 2030 já teremos superado os Estados Unidos, primeiros exportadores mundiais que hoje detém um terço do mercado.

 Trata-se de uma transformação fenomenal para um país que nos anos noventa chegou a se posicionar como segundo maior importador mundial do produto. Naquela época, nosso modelo era baseado na pequena produção da região Sul, sujeita a constantes instabilidades climáticas e ao descontrole de pragas e doenças.

 Ao migrar para os cerrados do centro-norte, o algodão ganhou escala (propriedades rurais e operações muito maiores), reduziu a incidência de doenças (a colheita deixou de coincidir com o período chuvoso) e, em consequência, obteve maior produtividade e qualidade de pluma.

 Entre os anos setenta e hoje, enquanto a área plantada com algodão caiu de 4 para pouco mais de 1 milhão de hectares, a produtividade deu o espetacular salto de 200 kg para 1.800 kg de pluma por hectare. Se naquele período o algodão era cultura única, hoje ele é comumente plantado como segunda safra da soja, usando a mesma área agrícola, sem precisar de irrigação.

 Isso permitiu conquistar dois elementos únicos de diferenciação do Brasil: a padronização do produto —cuja rastreabilidade pode ser feita em nível de talhão— e as características intrínsecas de sustentabilidade, graças à adoção generalizada pelo setor de certificações como o ABR (Algodão Brasileiro Responsável) e a BCI (Better Cotton Initiative).

 Mas quem de fato puxou o crescimento da cotonicultura foi a demanda do continente asiático, que hoje responde por 93% das nossas exportações. Ocorre que a indústria do vestuário e confecções é uma das que mais migraram ao longo do tempo, saindo do Reino Unido na Revolução Industrial para se instalar nas Carolinas nos EUA. Depois foi para o Japão e a Coreia do Sul, depois China e hoje chega a Indonésia, Vietnã, Turquia, Bangladesh e Paquistão, países cujas importações crescem a dois dígitos por ano. Isso sem falar dos novos destinos que despontam no horizonte, como Filipinas e Myanmar. Essa extraordinária mobilidade da indústria, em busca de mão de obra competitiva, gerou forte demanda para o algodão brasileiro em países com notáveis limitações de terra e água.

 Mas o que falta ser feito para coroar essa saga? Como vamos vencer os Estados Unidos na disputa pela liderança das exportações? Minha opinião é que ganhos de produtividade são fundamentais, mas não suficientes, para ganhar o jogo global e que qualidade medida no campo é diferente de qualidade percebida pelo consumidor.

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