O consumo interno deve continuar como o grande motor do mercado de carne suína em 2011. Produtor aposta no Brasil.
Destino do suíno

Neste ano, o consumo per capita atingiu o volume inédito de 14,8 quilos e só não foi maior porque a produção não acompanhou o crescimento da demanda.
“Existe potencial de consumo para 15 quilos por habitante por ano, mas a disponibilidade foi de 14,8 quilos. Chegamos ao limite da capacidade de abate”, diz Jurandi Machado, diretor da Abipecs (associação dos produtores e exportadores de suínos).
A oferta de animais para abate aumentou 1,8% em 2010, para 34,4 milhões de cabeças, segundo estimativa da Abipecs. Já o consumo no país cresceu 4%, atingindo 2,7 milhões de toneladas.
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Além do aumento da renda, o alto preço da carne bovina contribuiu para a maior procura dos consumidores pela carne de porco.
O resultado foi um cenário de equilíbrio entre oferta e demanda, que deu sustentação aos preços internos. Segundo levantamento da Folha, nos últimos 12 meses o preço do suíno pago pelos frigoríficos subiu 48%.
Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs, diz que em 2011 o consumo interno permanecerá aquecido, mas a tendência é que o ano seja de margens mais apertadas para o setor, reflexo da alta dos grãos.
O milho, que subiu 54% no país entre julho e novembro, segundo o Cepea, representa 63% do custo de produção da carne suína. “O animal que está sendo alimentado com o milho ao preço de hoje será abatido no primeiro semestre de 2011”, observa Jurandi.
Mercado Externo – As exportações devem cair 7,5% em volume este ano, para 562 mil toneladas. A receita obtida com as vendas externas, porém, deve aumentar em 11,7%, graças à alta de 23% nos preços internacionais. Mas a evolução não foi suficiente para levar as cotações ao nível pré-crise.
Após a abertura do mercado americano para a carne suína de Santa Catarina, Camargo Neto acredita que em 2011 será possível conquistar habilitação para exportar para Coreia, União Europeia e China. “São os processos que estão mais adiantados”, diz.
A oferta, porém, continuará inalterada, pois não houve expansão da capacidade neste ano. “Novos investimentos devem acontecer”, afirma Machado. Mas ainda não há projetos anunciados.
A conquista de novos mercados pode incentivar esse movimento. “Acredito que os investimentos vão mirar a demanda de 2012”, diz ele.
Enquanto a oferta permanecer restrita, o setor deve manter o foco no mercado interno, que neste ano ofereceu melhor rentabilidade.





















