Pesquisa de seis anos em Alberta detectou vírus, bactérias e parasitas de alto impacto econômico, reforçando o alerta de biossegurança para a suinocultura comercial
Internacional
Estudo no Canadá revela altos índices de patógenos em javalis selvagens
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O avanço das populações de porcos selvagens na América do Norte consolida esses animais como uma das principais ameaças à biossegurança da suinocultura comercial. Um estudo de seis anos conduzido por pesquisadores da Universidade de Calgary, em parceria com o Governo de Alberta e a Universidade de Guelph, avaliou 331 porcos selvagens capturados entre 2018 e 2024. Os resultados apontam que 56% dos animais amostrados eram portadores de dois ou mais patógenos de relevância econômica direta para a produção industrial.
Prevalência de Patógenos Encontrados em Javalis Selvagens (Alberta, Canadá)
| Patógeno / Agente Infectante | Prevalência na Amostra (331 animais) | Relevância para a Suinocultura Comercial |
| Erysipelothrix rhusiopathiae | 100,0% | Agente da Erisipela Suína (bactéria sistêmica). |
| Eimeria spp. | 40,0% | Coccidiose (parasita gastrointestinal). |
| Circovírus Suíno (PCV2 / PCV3) | 33,0% (PCV2) / 27,0% (PCV3) | Síndrome do Definhamento e falhas reprodutivas. |
| Metastrongylus spp. | 26,0% | Vermes pulmonares transmitidos por parasitas. |
| Rotavírus A / Parvovírus | 23,0% (Rotavírus) / 18,0% (Parvovírus) | Diarreias neonatais e mortalidade embrionária. |
| Mycoplasma hyopneumoniae | 2,1% | Enfermidade Respiratória Suína (pneumonia enzoótica). |
| Vírus da PRRS (PRRSv) | 1,0% | Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína. |
| Salmonella spp. | 3,0% | Riscos entéricos e de segurança alimentar. |
Destaques e Recomendações de Biossegurança
- Detecção de cepas emergentes: Embora o vírus da Gripe Aviar de Alta Patogenicidade (HPAI – N1) tenha apresentado baixa taxa de infecção no estudo, a confirmação da presença do vírus em javalis reforça o papel desses animais na manutenção de patógenos de circulação multiespécie.
- Patógenos não detectados: A amostragem não registrou a presença de Deltacoronavírus suíno, Vírus da Diarreia Epidêmica Suína (PEDv), Senecavírus A ou Vírus da Gastroenterite Transmissível (TGEv).
- Vetor descontrolado no ambiente: A coexistência de múltiplos patógenos em populações ferais demonstra a existência de um reservatório contínuo que opera à margem dos programas tradicionais de vacinação e controle sanitário.
- Reforço de barreiras físicas: O estudo recomenda a intensificação de protocolos de contenção nas propriedades comerciais, incluindo cercamento duplo de granjas, gestão rigorosa do descarte de carcaças, vedação de fontes de água e alimentos, além do reporte imediato de avistamentos de porcos selvagens às autoridades locais.
De acordo com Mathieu Pruvot, professor assistente da Universidade de Calgary e líder do estudo, “é preocupante encontrar tamanha diversidade de patógenos circulando ativamente em uma população selvagem sem controle. As medidas rígidas de biossegurança nas granjas comerciais e no transporte de animais continuam sendo a principal linha de defesa para impedir o salto de infecções entre porcos selvagens e plantéis domésticos.”
Fonte: Pig Progress
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