Proposta da migração do produtor rural para pessoa jurídica tem base no princípio da profissionalização da agricultura.
Profissionalização do produtor
O número de agricultores brasileiros com status de pessoa jurídica cresceu consideravelmente nos últimos três anos. No Brasil, a dificuldade da migração da administração familiar para uma empresa começa na questão cultural da atividade, que normalmente é passada de pai para filho, e vai até a alta tributação gerada por uma empresa.
Pesquisa do instituto de pesquisa agropecuário Kleffmann mostra que em 2006 apenas 2,14% dos agricultores entrevistados no Brasil eram pessoa jurídica. Em 2008, esse número saltou para quase 10%. Mas a maioria, em torno de 80%, ainda atua na atividade como pessoa física. A situação não é muito diferente de países vizinhos, como a Argentina, onde apenas 3,16% da área plantada estavam sob controle de pessoas jurídicas em 2008.
“No caso do Brasil, percebemos que a área plantada sob o comando de empresas agropecuárias ganhou o espaço de áreas sob arrendamento, que caíram de 13% em 2006 para 9% em 2008”, analisa o gerente regional para América Latina do instituto, Lars Schobinger. A pesquisa também mostra que a área plantada com cana foi a que mais migrou para o comando de pessoa jurídica, de 7,79% em 2006 para 44,56% em 2008.
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Clube da Fibra – A profissionalização da agricultura foi um dos principais temas da 15ª edição do Clube da Fibra FMC, realizado na semana passada, na capital. “Procuramos sempre captar os assuntos de interesse dos produtores e a profissionalização preocupa bastante”, diz o diretor da FMC, Antonio Carlos Zem. Segundo ele, um dos motivos é a trajetória de grande parte dos agricultores brasileiros. “Muitos começaram como pequenos no Sul e se transformaram em grandes produtores no Centro-Oeste. Mas essa geração está envelhecendo e tem o processo sucessório em questão.”
Para o analista Marcos Rubin, da Agroconsult, a proposta da migração do produtor rural para pessoa jurídica tem base no princípio da profissionalização da agricultura. Mas ele pondera que é preciso avaliar caso a caso. “A migração exige investimento, organização, esforço e tempo. O produtor necessita de assessoria externa. Por isso, é mais fácil para os grandes. Mas se o pequeno quer crescer, deve se profissionalizar.”





















