Segundo comentário de Felipe Penter, Engenheiro Agrônomo, a idade média dos criadores interferem nesta situação.
Atividade suinícola familiar pode acabar em SC
Redação (01/11/2007)- A suinocultura é uma atividade de altos e baixos, alternando momentos de boa lucratividade com outros, de meses de crise. E isso todos sabemos, principalmente o suinocultor. Porém, a pior crise que se vislumbra é com relação a identidade futura da suinocultura catarinense e para tanto devemos levar em conta a média de idade do suinocultor de nosso Estado, que atualmente é de 47,3 anos. Esta elevada média nos leva a pensar que, de maneira familiar, a suinocultura está se aposentando. Mas porque do abandono jovial da atividade? Vários fatores têm influenciado neste abandono e quero aqui enumerar alguns que de certa forma se contrapõe como a pressão ambiental e a escala de produção. A legislação ambiental que exige cuidados cada vez maiores do suinocultor, pois sua atividade é considerada potencialmente poluidora, inibe de certa forma a expansão da atividade em muitas pequenas propriedades, e devemos lembrar que o modelo fundiário de Santa Catarina, nas regiões de suinocultura mais intensa, é de pequenas propriedades. Em contra partida está a escala de produção que sutilmente tem mudado o perfil do suinocultor, tornando-os todos grandes produtores se comparados com o passado recente.
O aumento de plantel obviamente é motivado pela necessidade, não de aumentar seus ganhos, mas simplesmente para tentar manter seu padrão de vida e dar condições de estudo a seus filhos, e desta maneira sem querer, acabam incentivando-os a abandonar a atividade. Devemos aliar a estes fatores a comunicação atualmente muito presente, seja via rádio, informativos, cursos, palestras, assistência técnica e principalmente televisão. Como competir com as imagens diárias de boa vida, belos carros, belas mulheres e muita ostentação que a televisão leva diariamente aos lares, com o dia a dia árduo e rotineiro de uma granja onde fim de semana, 13° salário, férias e principalmente boa remuneração não constam no vocabulário.
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Podemos, portanto admitir que o suinocultor do futuro possa ser aquele em que a atividade suinocultura é mais uma entre tantas e que somente será mantida enquanto houver lucro, contudo o caráter familiar que historicamente se formou entorno desta atividade findará com a aposentadoria iminente dos suinocultores catarinenses. A suinocultura como atividade nunca acabará, mesmo em nosso estado, mas a atividade suinocultura familiar, esta sim, caso não ocorra nenhum fato novo, certamente deixará de existir.




















