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COP30

Líderes defendem priorização de sistemas alimentares na agenda da COP 30

A conferência global sobre sistemas alimentares da rede One Planet (ONU) reuniu formuladores de políticas e líderes sociais de 30 países para discussões, workshops e visitas de campo a unidades…
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Líderes defendem priorização de sistemas alimentares na agenda da COP 30

A conferência global sobre sistemas alimentares da rede One Planet (ONU) reuniu formuladores de políticas e líderes sociais de 30 países para discussões, workshops e visitas de campo a unidades da Embrapa e iniciativas de segurança alimentar. A Embrapa Alimentos e Territórios (Maceió, AL) fez parte do comitê organizador e liderou o workshop sobre sistemas alimentares circulares com parceiros.

Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Brasil e presidente da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, juntamente com Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário, e Ana Toni, diretora-geral da COP 30, defendem a promoção de sistemas alimentares mais saudáveis, sustentáveis ​​e inclusivos, capazes de enfrentar as mudanças climáticas, como tema central das negociações da COP 30, que será realizada em novembro deste ano em Belém (PA).

Durante a conferência global sobre sistemas alimentares, realizada de 27 a 30 de maio em Brasília (DF), Wellington Dias enfatizou que a conferência serviu como um evento preparatório para a COP 30. A proposta do governo brasileiro é colocar a segurança alimentar como eixo central das negociações climáticas e apresentar políticas alimentares relevantes conduzidas no Brasil que possam ser aplicadas em outras nações. “O objetivo do Brasil é que, por meio dessa troca de experiências, cheguemos à COP 30 mais bem preparados para a tomada de decisões”, afirmou o ministro.

Para a economista Ana Toni, os sistemas alimentares já são um tema prioritário para a Conferência das Partes (COP), dando continuidade aos acordos firmados em COPs anteriores. Segundo ela, uma integração mais forte da segurança alimentar e nutricional (SAN) à agenda climática deve fazer parte do “esforço global para combater as mudanças climáticas”.

Em seu discurso de encerramento da conferência, Toni defendeu a ampliação e a aceleração das diversas soluções de políticas públicas relacionadas à SAN e às inovações sociais das comunidades, bem como o fortalecimento de práticas agrícolas regenerativas e baseadas na natureza. As Secretárias Lilian Rahal (SAN/MDS) e Fernanda Machiavelli (Secretária Executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA) também enfatizaram que o direito humano à alimentação adequada exige a transformação dos sistemas alimentares para que a produção priorize a diversidade de culturas, valorize a sociobiodiversidade e inclua a participação de povos e comunidades tradicionais.

Inspirada pelo moderador do painel Patrick Caron, pesquisador do Centro Francês de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento Internacional (CIRAD), Lilian Rahal usou a metáfora de “costura” para descrever uma ação coordenada e intersetorial — contrastando-a com “pacotes prontos”. Ela destacou a abordagem atual do governo brasileiro de envolver diversas partes interessadas na construção de um menu variado de iniciativas para fortalecer a SAN em diferentes níveis.

Sob o tema “Convergência e Coerência: Alinhando Políticas e Ações sobre Clima, Biodiversidade, Desigualdades e Nutrição por meio do Nexo dos Sistemas Alimentares”, o secretário apresentou diversas ações do Governo Federal, incluindo o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Este programa, a primeira iniciativa de compras públicas de alimentos do Brasil, inspirou uma geração de programas semelhantes na agricultura familiar e na alimentação escolar. “Com o PAA, alcançamos quase todos os municípios do Brasil com compras locais e apoio a cadeias curtas de produção, acesso e consumo de alimentos”, observou Rahal.

Ela também destacou o papel da nova cesta básica, que exclui alimentos ultraprocessados ​​e abre portas para explorar diversas políticas públicas e ações governamentais no território, estabelecendo diretrizes para a implementação local de sistemas alimentares.

Entre essas ações, Rahal destacou a Estratégia Alimenta Cidades, que aborda os desafios das mudanças climáticas e a necessidade de coordenação governamental para enfrentá-los. “Quando retornamos ao governo em 2023, encontramos um grande número de pessoas enfrentando grave insegurança alimentar nas cidades, especialmente nas periferias”, disse ela.

Sistemas Alimentares Circulares

Gustavo Porpino, representando a Embrapa Alimentos e Territórios (Maceió, AL), abriu o painel sobre sistemas alimentares circulares e conduziu uma oficina sobre mudança comportamental para reduzir o desperdício de alimentos. A oficina contou com a participação da empreendedora social Regina Tchelly, fundadora da Favela Orgânica (RJ). A deputada costarriquenha Sonia Rojas, Clementine O’Connor, da iniciativa de desperdício de alimentos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e o diretor da WRAP UK, Richard Swannell, também participaram do painel, moderado por Beatriz Carneiro, coordenadora do PNUMA para a América Latina e o Caribe.

Porpino, que coliderou com o MDS o grupo de trabalho que atualizou a Estratégia de Redução de Perdas e Desperdícios de Alimentos do Brasil, observou que a revisão envolveu vários atores em toda a cadeia de fornecimento de alimentos e identificou três princípios fundamentais.

“Precisamos alinhar a mitigação de desperdícios com os esforços para fortalecer a segurança alimentar, especialmente porque o Brasil tem vários programas que podem apoiar a circularidade alimentar, como a Rede Brasileira de Bancos de Alimentos, as Cozinhas Solidárias e o Plano Nacional de Agricultura Urbana”, afirmou.

Além disso, ele enfatizou que a redução da perda e do desperdício de alimentos deve fazer parte de um esforço mais amplo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e tornar o uso mais eficiente dos recursos naturais necessários para a produção de alimentos. Ele destacou o novo Plano Nacional de Gestão Sustentável de Resíduos do Brasil, que promove a reciclagem e a redução de resíduos sólidos em áreas urbanas e é liderado pelo Ministério do Meio Ambiente.

“Igualmente importante é engajar os governos locais para ampliar o escopo e o impacto”, enfatizou Porpino, referindo-se ao alinhamento com a Estratégia Alimenta Cidades lançada pelo MDS.

Quadro de Referência para Sistemas Alimentares e Clima

A conferência também lançou a consulta pública para o documento “ Marco de Referência para Sistemas Alimentares e Clima para Políticas Públicas ”, que inclui contribuições da Embrapa Alimentos e Territórios. Criado para auxiliar na coordenação e alinhamento de políticas públicas e ações entre setores, o Marco está aberto para consulta pública até 15 de junho, por meio da plataforma Participa + Brasil.

Comida Local (“Comida Daqui”)

A importância dos mercados territoriais na geração de renda local, no encurtamento da cadeia de suprimentos alimentares e na mitigação dos efeitos da crise climática é enfatizada no estudo Comida Daqui , produzido pelo Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis ​​(IPES-Food). Lançado durante a conferência global da rede One Planet, o relatório apresenta uma visão ampla das diversas redes alimentares, com o objetivo de promover uma alimentação sustentável baseada em hábitos comunitários e enfrentar a crise nas cadeias globais de suprimentos industriais de alimentos.

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