Recuperação gradual da suinocultura europeia ocorre após forte retração registrada entre 2022 e 2023

A produção de suínos na União Europeia registrou crescimento em 2025, indicando um movimento de recuperação parcial após as quedas expressivas observadas nos anos anteriores. De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Comissão Europeia, os 27 Estados-membros do bloco realizaram o abate de aproximadamente 227 milhões de suínos ao longo do ano.
O volume representa um aumento superior a 5 milhões de animais em comparação com 2024, quando foram abatidos cerca de 222 milhões de suínos. Embora o crescimento seja considerado moderado, o resultado reforça uma tendência de retomada gradual da produção no continente.
O desempenho mais recente contribui para compensar parcialmente as perdas registradas entre 2022 e 2023, período em que a suinocultura europeia enfrentou forte retração. Nesse intervalo, o número total de suínos abatidos caiu de aproximadamente 249 milhões para cerca de 220 milhões de animais.
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Entre os principais fatores que pressionaram a produção naquele período estiveram os impactos da crise sanitária provocada pela Covid-19, que afetou cadeias logísticas e o funcionamento de frigoríficos, além da disseminação da Peste Suína Africana (PSA), especialmente na Alemanha, um dos principais polos de produção do continente.
Espanha lidera produção de suínos na União Europeia
No ranking dos maiores produtores do bloco europeu, a Espanha permanece como líder da suinocultura regional. Em 2025, o país registrou o abate de mais de 56 milhões de suínos, consolidando um ciclo contínuo de expansão produtiva.
O volume representa crescimento em relação a 2024, quando a produção espanhola ficou abaixo de 54 milhões de animais. O país tem ampliado sua participação no mercado europeu e global de carne suína, sustentado por investimentos em tecnologia, eficiência produtiva e capacidade de exportação.
A Alemanha ocupa a segunda posição entre os maiores produtores da União Europeia, com quase 45 milhões de suínos abatidos em 2025. Apesar da relevância no cenário internacional, a produção alemã apresenta trajetória de redução ao longo da última década.
Em 2016, por exemplo, o país registrava um volume significativamente superior, com cerca de 59,39 milhões de suínos abatidos. A diminuição da atividade está relacionada a diferentes fatores estruturais, incluindo mudanças regulatórias e pressões econômicas sobre o setor.
Entre as tendências que impactam a suinocultura alemã está a implementação de legislações mais rigorosas voltadas ao bem-estar animal. As novas normas incluem exigências relacionadas ao uso de baias de acasalamento e sistemas de parto livre para matrizes, o que tem levado parte dos produtores a encerrar ou reduzir suas atividades.
França e Polônia mantêm produção estável
Na sequência do ranking europeu aparecem França e Polônia, que ocupam respectivamente a terceira e a quarta posição entre os maiores produtores de suínos do bloco.
Ambos os países registram volumes próximos de 20 milhões de suínos abatidos anualmente. No caso da França, os níveis de produção têm se mantido relativamente estáveis nos últimos anos, refletindo um setor consolidado e com crescimento mais moderado.
A Polônia, por sua vez, continua sendo um dos principais polos da suinocultura na Europa Central, com participação relevante no abastecimento regional de carne suína.
Oferta de suínos deve crescer no início de 2026
As perspectivas para o mercado europeu de suínos indicam continuidade do movimento de recuperação no curto prazo. Em análise recente sobre o setor, o banco agroindustrial Rabobank projeta que a oferta de suínos na União Europeia no primeiro semestre de 2026 deverá superar o volume registrado no mesmo período do ano anterior.
Entretanto, o cenário pode apresentar mudanças ao longo da segunda metade do ano. O relatório aponta que a produção europeia pode sofrer desaceleração no segundo semestre, principalmente em função de uma possível redução na oferta de suínos na Espanha.
Peste Suína Africana em javalis preocupa mercado
Entre os fatores que podem influenciar o desempenho da suinocultura espanhola está a recente detecção da Peste Suína Africana em populações de javalis no país.
Embora a doença ainda não tenha sido registrada em rebanhos comerciais de suínos domésticos, a presença do vírus na fauna silvestre gera preocupações sanitárias e comerciais. Em muitos mercados internacionais, a ocorrência da enfermidade em qualquer parte do território pode resultar em restrições à exportação de carne suína.
Diante desse cenário, autoridades sanitárias e produtores seguem monitorando a situação para evitar a disseminação da doença e preservar a competitividade da suinocultura espanhola e europeia no mercado global de proteína animal.
Referência: Pig Progress




















