Demanda enfraquecida, cenário geopolítico e incertezas econômicas impactam comercialização no primeiro trimestre de 2026
Quaresma mantém preços do suíno pressionados e mercado segue cauteloso em abril

O mercado suinícola brasileiro atravessou um primeiro trimestre de 2026 marcado por baixa liquidez e pressão sobre os preços, cenário que se intensificou ao longo de março devido à menor demanda interna durante a Quaresma. De acordo com levantamento do Cepea, o consumo reduzido típico do período contribuiu para manter os valores do setor em patamares enfraquecidos.
Além do fator sazonal, o desempenho do mercado também foi impactado por incertezas no cenário externo. Segundo o Cepea, especulações relacionadas ao contexto geopolítico global, aliadas às oscilações do dólar e à forte valorização do petróleo, geraram instabilidade e afastaram parte dos agentes das negociações.
Primeiro trimestre registra ritmo lento de comercialização
O enfraquecimento do mercado não se restringiu a março. Conforme o Cepea, o ritmo reduzido de negócios foi observado ao longo de todo o primeiro trimestre de 2026, refletindo um ambiente de cautela tanto por parte de produtores quanto da indústria.
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Esse cenário contribuiu para a manutenção de preços mais baixos, mesmo diante de uma oferta relevante e de exportações ainda firmes.
Expectativas divididas para abril
Para abril, o mercado apresenta perspectivas distintas entre os agentes consultados pelo Cepea. Uma parcela mantém postura cautelosa, ainda influenciada pelos resultados negativos do trimestre, especialmente no que diz respeito à demanda interna e aos preços.
Por outro lado, há agentes mais otimistas que apostam em uma possível recuperação do mercado. Essa expectativa está fundamentada principalmente em dois fatores:
- Fim da Quaresma, que tende a impulsionar o consumo de carne suína
- Primeira quinzena do mês, período em que há maior circulação de renda devido ao pagamento de salários
Caso esses elementos se confirmem, o setor pode registrar uma reação gradual nos preços do suíno vivo e da carne ao longo de abril.
Cotações indicam variações regionais no mercado
Os dados recentes das bolsas de suínos mostram diferenças importantes entre regiões produtoras:
- Em São Paulo, a Bolsa de Suínos da APCS definiu, em 25 de março, o preço do suíno vivo em R$ 7,20/kg, enquanto a carcaça variou entre R$ 10,00 e R$ 10,90/kg.
- Já em Mato Grosso, levantamento da Acrismat apontou cotação de aproximadamente R$ 6,30/kg para o suíno vivo no período entre 30 de março e 5 de abril.
- Em Minas Gerais, a referência recente indicou valores ao redor de R$ 6,80/kg, evidenciando a heterogeneidade do mercado nacional.
Cenário segue dependente de consumo e variáveis externas
O comportamento do mercado suinícola brasileiro nas próximas semanas deve continuar atrelado a fatores internos e externos. Entre os principais pontos de atenção estão:
- Recuperação da demanda doméstica
- Estabilidade do câmbio
- Evolução do cenário geopolítico global
- Custos de produção, especialmente ligados à energia e insumos
Diante desse contexto, o setor segue operando com cautela, enquanto aguarda sinais mais claros de recuperação no consumo e nos preços.





















