Produção de ureia volta ao mercado com impacto direto em insumos usados na produção de aves, suínos e lavouras
Retomada de fábrica na Bahia reforça oferta de fertilizantes no Brasil

A retomada das operações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, recoloca no mercado nacional um volume relevante de ureia e reacende a expectativa de redução de custos para o produtor rural. O movimento faz parte da estratégia de ampliar a produção interna de fertilizantes, hoje majoritariamente importados, e tem efeito direto sobre cadeias que dependem fortemente desses insumos, como a produção de grãos utilizados na ração de aves e suínos.
Com investimento de R$ 100 milhões, a unidade tem capacidade de produzir 1,3 mil toneladas diárias de ureia, o equivalente a cerca de 5% da demanda nacional. Além do impacto na oferta, a reativação também gera 900 empregos diretos e 2,7 mil indiretos. A maior disponibilidade do insumo no mercado interno tende a reduzir a exposição do país às oscilações externas e aos custos logísticos, fatores que pesam diretamente no custo de produção agrícola e, consequentemente, na alimentação animal.
Os fertilizantes são fundamentais para manter e ampliar a produtividade das lavouras. No caso das cadeias de aves e suínos, qualquer variação no preço desses insumos afeta o custo do milho e da soja, base da ração. Com maior produção nacional, a expectativa é de maior previsibilidade e competitividade para o setor.
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A fábrica havia sido hibernada em 2019, dentro do plano de desinvestimentos da Petrobras, e passou por um período de operação privada até a paralisação em 2023, motivada pelo custo do gás natural. A retomada das plantas de fertilizantes nitrogenados ganhou força a partir de então, com a reativação da unidade de Sergipe em dezembro de 2025 e da Bahia em janeiro de 2026.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, o que evidencia a dependência externa e a vulnerabilidade a variações internacionais de preço. Com as unidades da Bahia, Sergipe e a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) em operação, a projeção é atingir cerca de 20% do mercado interno de ureia. A entrada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), pode elevar essa participação para aproximadamente 35% nos próximos anos.
O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, estabelece como meta atender entre 45% e 50% da demanda interna até 2050. A ampliação da produção nacional, além de reduzir a dependência externa, tem potencial de estabilizar custos e dar mais segurança ao planejamento das safras, com reflexos diretos na produção de proteínas animais e nas principais culturas agrícolas do país.
Fonte: MAPA























