Ações simultâneas de governo, setor produtivo e indústria indicam novo patamar na inserção comercial
Brasil avança com estratégia coordenada para ampliar presença no mercado chinês de proteína

O Brasil intensificou a articulação de diferentes frentes para ampliar o acesso ao mercado chinês de proteína animal, em um movimento coordenado que envolve governo federal, entidades do agronegócio e a indústria do setor. A atuação simultânea dessas instâncias indica um avanço na estratégia comercial do país, com foco no principal destino global de proteína.
Nesta semana, o ministro André de Paula encerrou uma missão com avanços no diálogo bilateral com a China. Ao mesmo tempo, houve a realização de uma ação inédita de promoção comercial no país asiático por parte da representação do setor agropecuário brasileiro, enquanto negociações específicas voltadas à exportação de miúdos suínos avançaram com base em critérios sanitários. A convergência dessas frentes sinaliza um amadurecimento da estratégia nacional para acessar o principal destino global de proteína animal, tanto pelo volume quanto pela simultaneidade das ações.
O contexto internacional reforça a importância desse movimento. Dados da Pig World UK indicam crescimento expressivo dos casos de Peste Suína Africana em suínos domésticos e animais selvagens na União Europeia ao longo de 2025. A pressão da doença sobre o rebanho europeu reduz a oferta regional e abre espaço para fornecedores externos. Nesse cenário, o Brasil, livre da enfermidade, se posiciona como alternativa competitiva, desde que avance na atualização de protocolos sanitários com a China e outros mercados. A possível abertura para miúdos suínos, segmento ainda com restrições, representa uma oportunidade adicional.
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A questão logística também integra esse quadro. A decisão do Supremo Tribunal Federal que viabiliza a construção da Ferrogrão adiciona um componente estratégico ao reduzir os custos de transporte de grãos no corredor Centro-Norte. Esse efeito impacta indiretamente o custo de insumos para rações, fator determinante na competitividade da proteína animal brasileira no mercado internacional.
No campo institucional, duas movimentações recentes fortalecem o ambiente regulatório do setor. A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que torna obrigatória a análise técnica do Ministério da Agricultura em normas federais que afetem a produção, o manejo, o transporte e a comercialização de espécies de interesse econômico, ampliando a participação técnica nas decisões que impactam diretamente as cadeias produtivas.
Na área de pesquisa aplicada, foram apresentados avanços voltados à sanidade e à produtividade. Houve o lançamento de um guia técnico para controle de parasitas em granjas de aves e suínos, além de uma nova cultivar de soja convencional adaptada ao Cerrado. Paralelamente, avançaram discussões sobre alternativas aos fertilizantes fosfatados, indicando o fortalecimento de iniciativas voltadas à redução da dependência de insumos importados.
O conjunto dessas ações, que reúne diplomacia comercial, decisões de infraestrutura, reforço institucional e inovação tecnológica, aponta para uma trajetória de consolidação do Brasil como fornecedor global de proteína animal, sustentada por ganhos sanitários, eficiência logística e aprimoramento regulatório.
Fonte: MAPA, CNA, CEPEA, Pig World UK, Embrapa























