Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 64,77 / kg
Soja - Indicador PRR$ 133,14 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 139,99 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 8,40 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 5,20 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 5,76 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 4,85 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 4,96 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 5,00 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 134,39 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 136,10 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 144,50 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 147,83 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 128,11 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 140,14 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,32 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,34 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.392,65 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.312,38 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 147,61 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 135,00 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 140,92 / cx
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Agronegócio

Avanço de javalis acende alerta na suinocultura industrial

Levantamento do Ministério da Agricultura mostra expansão de suídeos asselvajados rumo ao Centro-Oeste e à Amazônia, ameaçando bilhões de reais em exportações de carne suína

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Avanço de javalis acende alerta na suinocultura industrial

O Brasil detém um dos patrimônios sanitários mais valiosos e protegidos da pecuária global. Livre das principais doenças virais que assolam os planteis de porcos ao redor do mundo, o país consolidou-se como um dos maiores exportadores globais de carne suína. No entanto, esse ativo estratégico agora enfrenta uma ameaça silenciosa e em rápida expansão dentro do próprio território: o avanço descontrolado de javalis e porcos asselvajados (javaporcos).

Um novo mapeamento detalhado apresentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) revela que a presença desses animais invasores no território nacional ganhou uma escala geográfica muito mais ampla e perigosa do que se estimava anteriormente.

De acordo com a médica-veterinária Lia Coswig, do Departamento de Saúde Animal do MAP, o desafio atual do setor produtivo e das autoridades de defesa agropecuária mudou de patamar. “Desde 2013, o controle populacional do javali não só é permitido como deveria ser uma questão obrigatória. O desafio brasileiro já não está em autorizar o controle por meio de leis, mas sim em proteger um patrimônio sanitário diante de uma ocupação territorial cada vez mais ampla e persistente.”

 O Novo Mapa da Invasão: Interiorização rumo ao Norte e Centro-Oeste

Diferente do levantamento realizado pelo governo em 2019, que apresentava dados parciais e concentrados majoritariamente na Região Sul, o novo questionário do MAPA alcançou a quase totalidade dos municípios brasileiros através dos serviços veterinários estaduais.

O resultado redesenha o mapa de risco:

  • Centro-Oeste: Registrou aumento significativo na percepção e avistamento de bandos, pressionando uma das principais regiões produtoras de grãos e carnes do país.

  • Região Norte (Bioma Amazônico): O estado do Pará desponta com um forte avanço desses animais em áreas de floresta e transição agrícola.

  • Roraima: Registros consistentes de campo revelaram uma presença consolidada dos animais na região extrema do norte do país.

O risco invisível: Peste suína e a perda de mercados

A preocupação técnica do MAPA não é apenas ecológica, mas fortemente econômica. Os javalis são vetores altamente eficientes para vírus devastadores, como o da Peste Suína Africana (PSA) e o da Peste Suína Clássica (PSC).

Caso um desses patógenos entre na população de animais selvagens e chegue às granjas comerciais, o Brasil pode sofrer embargos automáticos e imediatos de seus principais compradores internacionais, o que arruinaria uma cadeia produtiva que movimenta dezenas de bilhões de reais todos os anos.

A proximidade física entre javalis e planteis comerciais dificulta o trabalho de vigilância ativa das autoridades, pois os animais invasores não respeitam limites de propriedades ou barreiras estaduais.

Avanço de javalis acende alerta na suinocultura industrial

Biosseguridade na prática: Cercas de 1,80 metro e o perigo dos híbridos

A gravidade do problema já mudou a rotina dos produtores. O MAPA passou a exigir das granjas comerciais de reprodutores certificados (GRSC) a adequação de suas barreiras físicas contra javalis.

Se antes as cercas de proteção padrão tinham cerca de 1,50 metro de altura, a recomendação oficial subiu para 1,80 metro, uma vez que há registros de javalis adultos e animais híbridos saltando estruturas de menor porte para invadir as propriedades.

Além disso, a hibridização — o cruzamento de javalis com porcos domésticos criados soltos — gera animais extremamente rústicos, prolíficos e agressivos. Imagens registradas pelo MAPA em Roraima revelaram leitões com listras pretas (característica típica de filhotes de javali) nascendo dentro de propriedades domésticas rurais, provando que o contato físico e a mistura genética já são uma realidade de campo.

Ação coordenada: Usar o controle para gerar inteligência

O diagnóstico dos especialistas é unânime: o Brasil não sofre por falta de leis. Desde 2013, o Ibama classifica o javali como espécie exótica invasora e permite o seu abate para controle populacional. O problema real reside na execução prática e no monitoramento em larga escala desse controle.

Para tentar conter o avanço, alguns estados começaram a adotar uma estratégia inteligente de vigilância participativa: autorizar o transporte de carcaças pelos controladores autorizados sob a condição de entrega obrigatória de amostras de sangue e tecidos para análise laboratorial.

Desta forma, o controlador atua também como um agente de campo, ajudando o serviço oficial a monitorar a saúde da população de javalis e criando uma barreira de inteligência epidemiológica precoce para proteger a suinocultura brasileira.

Fonte: MAPA

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