Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) R$ 70,19 / kg
Soja - Indicador PR R$ 153,81 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) R$ 161,73 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 7,27 / kg
Suíno - Estadual SP R$ 4,83 / kg
Suíno - Estadual MG R$ 5,04 / kg
Suíno - Estadual PR R$ 4,43 / kg
Suíno - Estadual SC R$ 4,52 / kg
Suíno - Estadual RS R$ 4,52 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 141,85 / cx
Ovo Branco - Regional Branco R$ 143,59 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 154,01 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 158,78 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) R$ 134,15 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) R$ 146,79 / cx
Frango - Indicador SP R$ 7,74 / kg
Frango - Indicador SP R$ 7,74 / kg
Trigo Atacado - Regional PR R$ 1.473,16 / t
Trigo Atacado - Regional RS R$ 1.358,79 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 166,55 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) R$ 137,33 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) R$ 151,17 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) R$ 161,05 / cx
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Mercado

Brasil é o 4º maior produtor mundial de suínos e pode aliviar excesso de oferta em 2027

Alexandre Rosa, diretor executivo da Agroceres PIC, apresentou panorama do mercado suíno nacional durante reunião promovida pela Associação Paulista dos Criadores de Suínos

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Brasil é o 4º maior produtor mundial de suínos e pode aliviar excesso de oferta em 2027

Em apresentação sem uso de slides, marcada por um tom informal, Alexandre Rosa — que atua no setor há 30 anos e assume agora a presidência da Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS) — reuniu dados internos da Agroceres PIC, estatísticas oficiais e sua leitura de conversas com clientes para traçar o cenário da suinocultura brasileira em 2026.

Excesso de oferta e crescimento da produção

Segundo Rosa, o Brasil atravessa “um momento de excesso de oferta em relação ao seu histórico”. Ele citou que, no primeiro trimestre de 2026 — período da maior queda de preços observada no ano —, a produção brasileira (combinação de número de abates e peso médio) cresceu 7% em relação ao período anterior.

Na leitura do executivo, esse não é um fenômeno pontual: nos últimos dez anos, a produção brasileira de carne suína vem crescendo a taxas superiores a 4,5% ao ano. Ele destacou que esse ritmo é relevante porque o Brasil hoje ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais, atrás de China, União Europeia (principalmente Espanha) e Estados Unidos — e que nenhum desses três concorrentes registrou, no mesmo período, um crescimento na magnitude observada no país.

Sanidade como diferencial competitivo

Para Rosa, um dos principais motores desse avanço é a situação sanitária “privilegiada” do rebanho brasileiro frente às doenças virais de maior impacto econômico: a PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos) e a PED (Diarreia Epidêmica dos Suínos), além da influenza, que afeta com mais intensidade países de clima frio. Segundo ele, esses países enfrentam picos periódicos dessas enfermidades, o que eleva a mortalidade, exige despopulação de granjas para limpeza sanitária e, na prática, freia o crescimento da produção — caso, segundo ele, dos Estados Unidos atualmente, que enfrentam PRRS crescente sem vacina disponível.

Rosa também citou os casos da China (impactada pela peste suína africana desde 2018, que teria dizimado metade do plantel do país) e da Europa (peste suína africana na Alemanha, além de legislação ambiental e de bem-estar animal mais rígida, escassez de mão de obra e, segundo ele, subsídios em alguns países para o encerramento de granjas).

O executivo atribuiu parte da proteção sanitária brasileira a um acordo firmado há cerca de 11 anos, envolvendo a BCS, a associação de genética e o Ministério da Agricultura, que estabeleceu a Ilha de Cananeia (litoral sul de São Paulo) como único ponto de entrada para animais importados, mantidos em observação por pelo menos 30 dias antes da liberação — mecanismo que, segundo Rosa, garante segurança sanitária sem fechar o país à atualização genética.

Ganho de produtividade, não de plantel

Questionado sobre a origem do crescimento da produção, Rosa foi enfático: os números internos da Agroceres PIC não indicam um forte aumento no alojamento de fêmeas no Brasil. Segundo ele, houve, sim, algum crescimento de plantel — estimulado por um período de boa rentabilidade que teria começado ainda em 2024 e se estendido por todo o ano de 2025 —, mas moderado, em parte porque o aumento de produtividade das granjas gerou escassez de espaço de terminação (granjas projetadas para produzir 25–26 leitões desmamados por matriz por ano hoje produzem entre 34 e 35).

O principal fator, na avaliação do executivo, foram os ganhos de produtividade e o aumento do peso médio de abate. Ele citou dado do IBGE referente ao segundo trimestre de 2026: peso médio de abate nacional (estimando rendimento de carcaça de normal a bom) de 126 kg — patamar que, segundo Rosa, já se aproxima do observado nos Estados Unidos, e que reflete ganhos de conversão alimentar do material genético atual.

Crédito, exportação e potencial de crescimento

Rosa afirmou que bancos vêm endurecendo critérios de crédito para produtores sem contrato com frigorífico ou outra forma de garantia, como reflexo de um mercado mais maduro e da tentativa de conter produção especulativa.

Sobre exportação, o executivo disse acreditar que o Brasil tem potencial para, segundo suas palavras, “bater 2 bilhões de toneladas nos próximos 3 anos” — cifra citada na apresentação e que, por sua magnitude, sugere possível imprecisão de transcrição em relação à unidade (tonelada/volume) mencionada pelo palestrante; a reportagem optou por reproduzir o número exatamente como declarado. Ele citou ainda potencial de crescimento nas exportações para Coreia do Sul (mercado ainda não plenamente explorado pelo país) e Japão, com expectativa de liberação do Paraná para exportação “em breve”. Rosa também mencionou a rota bioceânica — ligando o Mato Grosso do Sul ao Peru — como projeto capaz de reduzir em 17 dias o tempo de navegação e viabilizar exportação de carne resfriada para a Ásia.

No mercado interno, o executivo disse acreditar em espaço para o consumo per capita brasileiro subir a algo entre 28 kg e 30 kg (ante os cerca de 40 kg da Europa), citando o trabalho de promoção das associações e o que descreveu como efeito favorável das canetas emagrecedoras sobre o consumo de proteína.

Movimentos recentes de mercado e projeção de plantel

Rosa relatou que, na semana da apresentação, empresas com produção própria relevante passaram a buscar maior independência do mercado — caso da própria Agroceres PIC, que hoje controla cerca de 5 mil fêmeas sob seu programa, das quais aproximadamente 40% destinam-se ao abate. Segundo ele, o movimento de melhora nos preços tem se concentrado mais ao norte do Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Norte, com frigoríficos voltando a aceitar animais fora da grade após semanas de relatarem estar “lotados”.

Rosa disse ser difícil prever retorno aos preços de dezembro de 2025/janeiro de 2026, mas afirmou ter expectativa de que os valores voltem a cobrir o custo de produção até o fim do ano. Como referência de custo, citou dados da Agristats para produtores eficientes do Paraná e de Santa Catarina, na faixa de R$ 5,90 a R$ 6,00 por quilo vivo para animais de 125 kg, valores anteriores à alta de milho e farelo de soja.

O executivo revisou também as projeções de expansão do plantel nacional: segundo cálculos internos da Agroceres PIC, o setor cresceria entre 100 mil e 120 mil fêmeas nos próximos dois anos, concentrado sobretudo em cooperativas e produtores independentes, e não no segmento verticalizado. Com a crise de preços dos últimos três a quatro meses, Rosa avalia que 2027 — inicialmente previsto como o ano mais crítico de excesso de oferta — possivelmente não repita esse cenário.

Barreiras de entrada e eleições

Rosa citou o ano eleitoral de 2026 como fator de cautela para investimentos, com expectativa de que 2027 seja um ano de ajustes econômicos e reformas fiscais independentemente do resultado das eleições. Ao mesmo tempo, destacou que a suinocultura brasileira vem consolidando barreiras de entrada — legislação ambiental e de bem-estar animal (citou a Instrução Normativa 173), questões trabalhistas e de periculosidade, dificuldade de mão de obra e efeitos do Bolsa Família sobre a oferta de trabalhadores — que, em sua avaliação, tendem a conter o ingresso de novos concorrentes e favorecer quem já está estabelecido no setor, ainda que sob margens mais apertadas. Juros elevados, sem perspectiva de queda no curto prazo, foram citados como inibidor adicional de crescimento.

Crescimento de plantel e quem está expandindo

Em pergunta ao palestrante, o produtor Carlos Alberto (Fazenda Santo Inácio) e, na sequência, Olintho Arruda Júnior questionaram os números de crescimento de plantel divulgados pela ABPA, que apontam aumento de 100 mil fêmeas no Brasil em 2025, após incrementos de cerca de 50 mil fêmeas por ano em períodos anteriores.

Rosa respondeu que o número de 100 mil fêmeas, em sua leitura, não se refere a um único ano, mas sim a um crescimento acumulado desde o final de 2023, ao longo de dois anos e meio. Segundo o executivo — que baseia suas estimativas em CRM interno da Agroceres PIC, cruzado com dados de participação de mercado e de sistemas como Agriness, BigChamp, Metafarms e Porkitec —, as duas maiores agroindústrias de capital aberto do país foram as que menos aumentaram plantel no período, tendo avançado principalmente em produtividade. O maior crescimento de plantel, segundo ele, veio do sistema cooperativista, do qual o Brasil tem duas grandes cooperativas atuantes no setor.

Da Redação

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