Doux Frangosul pode ter a liberação de créditos acelerada, favorecendo o pagamento à integrados de aves e suínos.
Crédito para Doux
A Receita Federal (RF) gaúcha dará prioridade à análise de créditos tributários gerados nas exportações do grupo francês Doux no Estado. O saldo referente aos três primeiros trimestres de 2010 seria de R$ 40 milhões. A empresa registra atraso de três meses no pagamento de mais de 2,7 mil produtores integrados com planteis de aves e suínos. A medida da Receita é resultado de encontro na manhã de ontem, na sede do órgão, em Porto Alegre, entre o superintendente, Paulo Silva da Paz, o executivo do grupo, Aristides Vogt, e entidades de agricultores. Paz preveniu que não há como vincular eventual ressarcimento à quitação direta das faturas com os agricultores.
O esforço busca liberar recursos para que a empresa coloque em dia os repasses, que já tiveram 120 dias de atrasos durante o ano passado, situação que se mantém desde o final de 2008 e é associada à crise mundial que afetou a operação da companhia. Em outro encontro, com representantes do Banco do Brasil (BB), na Assembleia Legislativa, um grupo de produtores individuais e ligados a entidades pediu condições de crédito e financiamento para custeio com juros mais baixos. A alegação é de que muitos agricultores estão tendo de recorrer ao cheque especial para saldar compromissos, como despesas fixas com energia e salários de empregados.
O superintendente de Negócios de Varejo e Governo do BB no Estado, José Carlos Reis da Silva, prometeu avaliar caso a caso e agendou uma reunião para a próxima quinta-feira, dia 27.
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No encontro na Receita, o executivo da Doux Aristides Vogt evitou se pronunciar e deixou o local antes do término da reunião, usando um elevador privativo. Vogt não compareceu à rodada na Assembleia. Segundo o deputado estadual Paulo Azeredo (PDT), que intermediou as agendas, o executivo alegou que a empresa negocia empréstimo com a área corporativa do BB, que seria usado para colocar em dia os contratos com produtores. O superintendente da Receita não confirmou os valores, alegando sigilo, e explica que não há atraso em ressarcimentos.
Paz recomendará que a delegacia do órgão de Santa Cruz do Sul, que responde pela região de operação da empresa, com frigorífico em Montenegro, agilize as análises da geração de tributos. “Diante da repercussão para os produtores vamos priorizar os processos. Mas o prazo dependerá da apresentação de documentos que comprovem a relação de gastos e impostos com a produção para exportação”, explicou Paz. O chefe do órgão apontou ainda que a queda do dólar, que eleva custos em real e reduz a renda com exportações, aumenta a pressa com a compensação.
Atrasos chegam a R$ 9 milhões por mês, aponta sindicato de Montenegro
Estima-se que os atrasos com os participantes do sistema de fomento envolvam cifra mensal de R$ 9 milhões. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montenegro, Romeu Krug, alerta que a ação da Receita e dos bancos – a Doux negociaria um empréstimo com o Banrisul – são decisivos para reverter o quadro. “Muitos produtores já estão cogitado abandonar a produção. Estão tendo de tapar o furo da despesa com aviários e granjas com outras fontes de renda da propriedade”, aponta Krug.
Nas duas reuniões, casos como o de Rigoberto Kniest, de São José do Sul, no Vale do Caí, revelam o drama dos atrasos. Kniest soma produção de 65 mil frangos e mil suínos e registra outro sintoma do impasse com a empresa em meio ao superaquecimento das vendas: queda na qualidade da ração e atrasos na entrega do insumo que compromete a conversão do plantel. Eles associam o baixo rendimento à falta de nutrientes. Sem recursos, o produtor também mostra temor em não conseguir investir na estrutura e cumprir normas ambientais previstas para 2011.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag) reforçou a preocupação de Kniest. Após reunião ontem, o presidente da entidade, Elton Weber, alertou que outras empresas do setor agem como a Doux, incluindo falta de ração e atraso em pagamentos. Também há desistência de integrados em alojar animais. Os problemas, segundo Weber, atingem também Aurora, Diplomata e BRFoods.





















