Companhia descarta novas aquisições nos próximos 12 meses. “Há muito trabalho para fazer antes de novas aquisições”, afirma o presidente Marcos Molina.
Marfrig busca mais sinergias antes de fechar novas compras
Uma das três maiores empresas de proteína animal do mundo após a aquisição da americana Keystone e responsável por 18% das exportações brasileiras de carne bovina, a Marfrig Alimentos não pretende fazer novas aquisições nos próximos 12 meses, de acordo com o presidente Marcos Molina. “Há muito trabalho para fazer antes de novas aquisições”, afirma ele.
Em janeiro deste ano, a Marfrig concluiu a compra da Seara Alimentos, da Cargill, e em junho adquiriu a Keystone, do fundo de private equity Lindsay Goldberg. A primeira tem um faturamento anual de R$ 3,5 bilhões, e a Keystone, de US$ 6, 5 bilhões.
“A Keystone é um negócio muito maior que Seara, é um trabalho de integração e sinergia de longo prazo”, diz. Segundo ele, novas aquisições estão fora dos planos “nos próximos 12 meses”.
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Para Molina, a operação com a Keystone fecha a estratégia da Marfrig. “Temos trabalho nos próximos cinco anos. Além da integração, temos de fazer o crescimento orgânico”, afirma.
Quanto a uma possível aquisição de ativos da Brasil Foods, se o órgão regulador brasileiro determinar, Molina diz preferir avaliar “quando houver decisão”. Então, diz, a empresa verá se vale a pena fazer algum negócio.
O presidente da Marfrig reconhece que, pela dimensão da Keystone, a integração será mais demorada que a das outras aquisições. Mas a estratégia de manter pessoal local liderando a operação, facilita o processo, avalia Ricardo Florence, diretor de planejamento e de relação com investidores da Marfrig. “Temos pessoas conhecedoras do negócio”, argumenta.
As diferenças de culturas entre as empresas não são problema na visão de Molina e Florence. “Todo o aprendizado com outras culturas é o que consolida a cultura da Marfrig”, diz Florence.
Afora a integração com Keystone após a aprovação do órgão antitruste europeu, outro grande desafio da Marfrig é a internacionalização da marca Seara, que tem recebido investimentos pesados, como o patrocínio da Copa do Mundo, por exemplo.
O plano da Marfrig prevê produtos derivados de carnes com a marca Seara no varejo de todos os 22 países em que a empresa atua. “No fim do ano, já deve ter peru com a marca Seara na Argentina”, prevê Molina.
Enquanto aguarda a manifestação do regulador europeu, a empresa brasileira contratou a consultoria Bain & Company para “mapear oportunidades” na Keystone. A estimativa ainda preliminar, diz Florence, é de que as sinergias fiquem na casa dos US$ 100 milhões até 2013.
Antes da compra da Keystone – da qual era fornecedora de matéria-prima – , menos de 5% da receita da Marfrig vinha das vendas ao McDonald’s. Mas a empresa brasileira já era importante fornecedora da rede de fast food. No Brasil, havia adquirido a Braslo, que produzia processados de carnes para a rede de restaurantes. No Uruguai, já fornecia por meio do Tacuarembó, que comprou em 2006. Na Argentina, via Quickfood, outra de suas aquisições.
O conhecimento que a Marfrig tinha do McDonald’s foi determinante para o negócio com a Keystone e também deve favorecer a integração entre as companhias, avalia Florence.
A operação de compra da Keystone será financiada com a emissão de R$ 2,5 bilhões em debêntures conversíveis em ações, operação já em andamento. O braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDESPar) anunciou, em julho, que pode subscrever até 100% das debêntures. O banco já tem uma participação de 13,89% no capital da Marfrig. Marcos Molina, o controlador, tem 41%.
O apoio do banco de fomento à empresa e a outras grandes do setor de carne, como a JBS, tem, aliás, gerado críticas de frigoríficos pequenos que consideram que o BNDESPar privilegia algumas companhias. Molina se defende. “O BNDES não escolheu, apoiou quem estava mais preparado e que saiu mais à frente”, diz. Ele acrescenta que “há espaço para pequenos frigoríficos com o crescimento do mercado interno, é preciso ter bons projetos”.
Ainda em resposta aos críticos, Florence diz que o que sustentou o crescimento da Marfrig foram principalmente o mercado de capitais e as operações de captação de bônus e não os aportes do BNDES. Segundo ele, o banco de fomento responde por 20% dos R$ 5,5 bilhões obtidos no total das operações de capitalização realizadas pela empresa desde 2006. A Marfrig tem ações na bolsa desde 2007. Ontem, seus papéis ordinários entraram no Ibovespa.




















