Avanço dos portos do Norte impulsiona entrada de fertilizantes e escoamento de grãos, com impacto direto nos custos da avicultura, suinocultura e produção de ovos
Arco Norte ganha força e muda fluxo de insumos e produção da proteína animal

O avanço logístico do Arco Norte tem redesenhado o mapa do agronegócio brasileiro e começa a refletir diretamente nas cadeias de proteína animal. Dados do Anuário Agrologístico 2026 da Conab, divulgados nesta terça-feira (26), mostram que os portos da região se consolidaram como principal porta de entrada de fertilizantes no país, superando Paranaguá desde 2024 e ampliando essa vantagem em 2025, quando movimentaram 13,36 milhões de toneladas, frente a 10,89 milhões no terminal paranaense.
Esse novo fluxo logístico tem efeito direto sobre a produção de aves, suínos e ovos, altamente dependente de insumos como milho e farelo de soja para ração. Com a maior proximidade entre portos e regiões produtoras do Centro-Oeste e Matopiba, além do uso crescente do frete de retorno — que leva grãos para exportação e traz fertilizantes na volta —, o custo de produção tende a ser mais competitivo, favorecendo cadeias intensivas como a avicultura e a suinocultura.
O movimento também acompanha o crescimento das exportações de milho e soja pelos portos do Norte. Entre 2021 e 2025, o volume embarcado saltou de 36,56 milhões para 58,06 milhões de toneladas, um avanço de 59%. Parte significativa dessa produção abastece a indústria de ração, base da produção de carne de frango, suínos e ovos, além de atender ao mercado externo. Em 2025, quase metade das exportações de milho saiu pelo Arco Norte, enquanto a soja já tem mais de um terço de seus embarques concentrados na região.
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Ao mesmo tempo, mudanças no consumo interno de milho também impactam o setor. A expansão das usinas de etanol de milho no Nordeste reduziu a disponibilidade do cereal para exportação em algumas regiões, redirecionando parte da produção para o mercado doméstico. Esse cenário reforça a importância de políticas de abastecimento, especialmente para pequenos produtores de ovos, leite e carnes, que dependem do grão para alimentação animal.
A consolidação do Arco Norte também está associada à melhoria da infraestrutura portuária e aos investimentos em rodovias, hidrovias e ferrovias, que reduziram distâncias e ampliaram a competitividade do produto brasileiro. Portos como Itaqui, Santarém e Barcarena ganharam protagonismo tanto na saída de grãos quanto na entrada de insumos como potássio, ureia e fosfatos, fundamentais para a produção agrícola.
Esse novo eixo logístico não apenas sustenta o crescimento das exportações, mas também fortalece a base produtiva das cadeias de proteína animal, ao garantir maior eficiência no abastecimento de insumos. Ao mesmo tempo, a expansão da fronteira agrícola e da infraestrutura na região impõe desafios adicionais, especialmente relacionados ao uso do território e à sustentabilidade da produção.
“Claramente, a gente percebe nos últimos 10 anos um deslocamento do sul para o norte do Brasil. A parte do Centro-Norte do país tem assumido uma relevância muito significativa na saída do grão brasileiro e também tem se aproveitado dessa própria logística para a importação dos fertilizantes que vem de fora do Brasil, em especial o potássio, a ureia e também o fosfatado, que são utilizados para a produção agrícola brasileira. Esse deslocamento se deve, principalmente, a investimentos públicos que foram feitos e isso tem contribuído para que haja essa mudança significativa. Antes todo o grão de Mato Grosso saía ou por Paranaguá ou, principalmente, por Santos. Agora, se reduziu a distância até o porto pela região do estado do Pará, como também do Maranhão, pelo porto de Itaqui, e isso tem contribuído de forma bastante expressiva para ampliação da área de produção”, avalia o presidente da Conab, Sílvio Porto.
“Um dos fatores que explica essa alta é a utilização da modalidade de frete de retorno, visando à diminuição do custo logístico. Ou seja, movimenta-se em direção aos portos com os grãos e retorna para as regiões produtoras com os fertilizantes”, explica o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos.
Fonte: Conab























