Densidade de neurônios imaturos no hipocampo pode indicar impacto prolongado de condições adversas no bem-estar das aves em sistemas de produção
Estudo aponta marcador biológico para medir estresse crônico em aves de postura

Um processo biológico natural no cérebro de aves de postura pode abrir caminho para uma nova forma de medir, de maneira objetiva, o estresse crônico nos sistemas de produção. A descoberta é resultado de um estudo conduzido por Tom Smulders, professor de neurociência evolutiva e diretor de educação da Universidade de Newcastle.
A pesquisa, apresentada durante o Simpósio Colaborativo de Extensão Avícola da Primavera, em 27 de abril, indica que a densidade de neurônios imaturos no hipocampo, conhecidos como células positivas para doublecortina, acompanha os níveis de estresse crônico. Segundo o pesquisador, a contagem dessas células pode servir como um marcador biológico de estados negativos de bem-estar em granjas comerciais.
O hipocampo, estrutura cerebral presente em todos os vertebrados, está ligado tanto à memória quanto à regulação emocional. Em estudos com roedores, o estresse crônico já havia sido associado à redução na formação de novos neurônios nessa região. A equipe de Smulders buscou verificar se o mesmo fenômeno ocorria em aves domésticas.
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Em experimentos com aves da linhagem Hy-Line Brown submetidas a oito semanas de estresse leve e imprevisível, incluindo isolamento, restrição alimentar, variações de temperatura e alterações no ciclo de luz, foi observada uma redução significativa na densidade de neurônios imaturos no hipocampo caudal, área relacionada ao processamento emocional. A comparação foi feita com indivíduos mantidos em condições sem estresse.
Na etapa seguinte, os pesquisadores avaliaram se o marcador também seria capaz de refletir situações comuns no campo. Em parceria com Mike Toscano, da Universidade de Berna, foram analisados tecidos cerebrais de aves com diferentes níveis de fraturas na quilha, problema frequente em sistemas de criação em aviários. Os animais com lesões mais graves apresentaram menor densidade de células de doublecortina, e o efeito se intensificava conforme o tempo de convivência com a condição.
Dermatite nas patas
Resultados semelhantes foram observados em um estudo sobre dermatite nas patas, reforçando a sensibilidade do marcador para identificar estresse prolongado em diferentes contextos produtivos.
Apesar do avanço, o pesquisador ressalta que a técnica ainda não está pronta para aplicação prática no campo. Faltam estudos que avaliem se o marcador também responde a experiências positivas, além de limitações relacionadas ao financiamento, apontadas como principal obstáculo para o avanço das pesquisas.
Fonte: Wattagnet























