Documento da COBEA aponta evolução gradual nas cadeias de aves e suínos e destaca necessidade de coordenação para ampliar práticas no país
Relatório mapeia avanços e desafios do bem-estar animal na produção brasileira

Um relatório elaborado pela Colaboração de Bem-Estar Animal (COBEA), com apoio de especialistas do setor, traça um panorama da evolução do bem-estar animal na cadeia produtiva brasileira e indica os principais desafios para ampliar a adoção de práticas mais avançadas. O documento, apresentado neste mês de maio durante um fórum em São Paulo, reúne dados de diferentes segmentos e evidencia que, embora haja progresso consistente, o cenário ainda é marcado por diferenças significativas entre regiões, sistemas produtivos e espécies.
Segundo a diretora-executiva da entidade, Elisa Tjarnstrom, o avanço ocorre de forma contínua, mas ainda sem um levantamento nacional padronizado que permita mensurar com precisão o estágio do país. As informações disponíveis partem de relatórios setoriais, compromissos corporativos e certificações voluntárias, o que revela um quadro heterogêneo. Cadeias mais organizadas e com maior capacidade de investimento tendem a concentrar as iniciativas mais estruturadas, enquanto parte relevante da produção permanece fora dessas agendas.
Na avicultura, o Brasil mantém posição de destaque global, inclusive na produção de ovos, que ultrapassou 62 bilhões de unidades em 2025, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O relatório aponta crescimento de sistemas alternativos às gaiolas convencionais, como modelos cage-free, caipira e orgânico, além da adoção de boas práticas relacionadas à densidade, manejo e enriquecimento ambiental. Ainda assim, a transição para sistemas sem gaiolas avança de forma desigual e depende de maior alinhamento entre produtores e compradores, além de mecanismos de financiamento.
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Na produção de frango de corte, também se observa evolução gradual, com melhorias na ambiência e no uso de enriquecimento ambiental, sobretudo em empresas de maior porte. Por outro lado, a seleção genética voltada ao ganho rápido de peso segue como um dos principais entraves ao bem-estar, embora haja iniciativas em andamento para desenvolver linhagens com melhores condições nesse aspecto.
Suinocultura
A suinocultura brasileira, que abateu milhões de animais em 2025, passa por um processo de transformação estrutural, impulsionado por exigências regulatórias e compromissos de mercado. A adoção de baias coletivas para gestação já alcança parcela significativa das matrizes, enquanto práticas como a imunocastração ganham espaço e colocam o país entre os líderes globais nessa tecnologia. Ao mesmo tempo, o setor avança na redução de procedimentos considerados mais agressivos, antecipando exigências legais previstas para a próxima década.
O relatório destaca que o avanço do bem-estar animal depende de articulação entre todos os elos da cadeia. Empresas compradoras, setor financeiro, políticas públicas e certificações independentes são apontados como agentes centrais para impulsionar mudanças. Sem coordenação e padronização, as iniciativas tendem a ter alcance limitado, enquanto ações integradas podem ampliar a escala, estimular inovação e consolidar práticas mais sustentáveis no país.
Fonte: Cobea























