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Empresários querem produzir carne “tipo exportação” em MS

Representantes argentinos e espanhóis estiveram no Estado conhecendo a cadeia produtiva da pecuária de corte.

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Redação (29/10/2008)- Na semana passada, empresários argentinos e espanhóis estiveram no Estado conhecendo a cadeia produtiva da pecuária de corte. Eles visitaram fazendas, frigoríficos, associações de classe e o governo estadual. Em reunião com a secretária Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias (Seprotur), ponderaram sobre o motivo da visita: querem fazer uma aliança mercadológica com o setor para produzir carne tipo exportação para Europa.

Com 51,3 milhões de cabeças de gado em 2007, a Argentina possui o quarto maior rebanho no mundo para fins comerciais. Atualmente é a quarta maior exportadora de carne bovina no mundo, com uma participação de 7% no total das exportações mundiais de carne bovina, apenas atrás do Brasil, Austrália e EUA.

Dados da Oficina Nacional de Controle Comercial Agropecuário (ONCCA, na sigla em espanhol), que controla o setor agropecuário na Argentina, mostra que o abate naquele país chegou a quase 15 milhões de cabeças em 2007, contra 13 milhões em 2006. As exportações do produto chegaram a 539 mil toneladas em 2007, sendo 4,6% inferior a 2006. Contudo a receita das exportações foi de US$ 1,28 milhão, 6,8% maior à receita obtida em 2006 devido ao aumento de preços nos cortes resfriados.

Porém, em meados de abril passado, o governo argentino decidiu suspender as exportações de carne bovina para garantir o abastecimento interno do produto naquele país, o que causou reflexos na cadeia comercial do setor. É o caso do Instituto Rosenbusch, empresa de capital argentino dedicada a sanidade animal – originou-se em 1917 na Sociedade Rural Argentina (entidade mais representativa do poder agropecuário do país) – e que desenvolveu um moderno “Sistema de Carnes Rastreadas – Pampa Mia”.

A suspensão das exportações colocou em “cheque” as parcerias já existentes do Instituto Rosenbusch no mercado internacional, a exemplo da aliança mercadológica existente com os espanhóis. Empreendedores e conhecedores do potencial produtivo pecuário brasileiro, a saída estaria em viabilizar novas parcerias para que o negócio continuasse sendo viável, e assim foi feito.

O empresário sul-mato-grossense Rogério Beretta, diretor do Laboratório Rosenbusch no Brasil, atesta que o programa já começou a ser implantado em propriedades localizadas no município de Campo Grande. Segundo ele, “Através do know how que nossa empresa possui no comércio internacional de carnes, estamos iniciando o processo de identificação eletrônica em fazendas que estejam interessadas em participar do nosso programa de produção integrada de carnes. A identificação dos animais com ‘chip’ eletrônico é fundamental para um perfeito sistema de rastreabilidade, fator primordial para se atingir o mercado nobre de carnes da Europa”.

O sistema também foi aprovado pela secretária Tereza Cristina, que dias antes da visita dos empresários esteve em uma das propriedades onde foi instalada a identificação eletrônica nos animais e pode testar o programa. “Acredito que se tivermos um protocolo de todo o processo, a parceria pode se tornar altamente viável”, ponderou, na ocasião.

Segundo o presidente do Instituto Rosenbusch, Dr. Rodolfo Balestrini, a proposta é produzir uma carne diferenciada em parceria com pecuaristas do Estado para atender um nicho específico de consumidores europeus, em especial os espanhóis. Uma das demandas é por carne de vitelo, ou seja, bezerro de leite cujo abate acontece entre 8 a 10 meses – conforme a nova legislação européia.

Conforme Tereza Cristina, todo o processo se daria através de parcerias: cria/terminação/acabamento – abate – exportação. “Viabilizar uma atividade econômica dessa grandeza é uma excelente oportunidade para o nosso Estado. Isso não é poesia, é business. Sem dúvida é um excelente negócio para a classe pecuária”, sugere a secretária ao ponderar que: “a demanda existe, precisamos agora formar um grupo de fornecedores”.

Os empresários também puderam conhecer a Associação Sul-mato-grossense dos Produtores de Novilho Precoce, onde tiveram a oportunidade de conhecer um caso de sucesso de aliança mercadológica. Fundada há 10 anos por produtores que investiram na produção de carne de excelência, e com atuais 218 associados, toda produção do grupo é comercializada através do Programa Garantia de Origem (G.O), da Rede Carrefour. Atualmente 50% da carne G.O comercializada no mercado nacional é produzida pelo Novilho Precoce MS. Ano passado, o grupo abateu 48.369 bovinos, dos quais 88,33% foram classificados no Programa G.O.

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