Comissário europeu vem ao Brasil discutir acordo UE-Mercosul. Para analista, há pouca chance de avanço na conversa.
Livre comércio em foco
O comissário de Comércio da União Europeia (UE), Karel de Gucht, visitará o Brasil no dia 14 deste mês, três semanas antes da eleição presidencial no País. No centro da agenda do comissário estará o acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, mas as chances de avanço na negociação são limitadas.
Depois de ter alimentado a possibilidade de fechar o acordo ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, os europeus acenam agora com uma tentativa para meados de 2011, se a ferrenha oposição de certos paises do continente se atenuar até lá.
Está marcada uma reunião União Europeia-Mercosul para outubro, em Bruxelas. Na prática, porém, os europeus tiraram o pé do acelerador e a a Comissão Europeia dificilmente fará até dezembro as ofertas de liberalização agrícola, industrial e de serviços. O pretexto é que os dois lados precisam antes definir um quadro normativo – regras de origem, salvaguardas, barreiras técnicas, fitossanitárias etc. E a troca de documentos está emperrada.
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Essa situação dificilmente mudará tão cedo, diante da reação brutal de alguns membros do bloco comunitário ao relançamento da negociação birregional, ocorrida em maio, durante encontro em Madri.
A França, país com quem o Brasil teria uma “parceria estratégica”, agora nem esconde mais sua repulsa a negociar abertura de mercado com o Mercosul. Assumiu de vez a resistência ao acordo e, politicamente, as chances de uma mudança de posição são pequenas. Ainda mais que o presidente Nicolas Sarkozy está com a popularidade cada vez mais em baixa – os socialistas, pela primeira vez, são favoritos nas pesquisas de opinião para a eleição presidencial de 2012 – e incomodar agricultores seria um desastre a mais para o poder em Paris.
Negociadores europeus têm reiterado que, nesse cenário, não adianta avançar um acordo que, de qualquer forma, ficaria paralisado no Parlamento Europeu, que a partir deste ano tem maior peso na negociação.
Karel de Gucht chegou a dizer a um representante brasileiro, em Paris, que um acordo poderia ser concluido mais facilmente com o governo Lula, ou seja, até dezembro. Apesar de as pesquisas apontarem a continuidade do governo, com uma provável vitoria da candidata petista Dilma Rousseff, algumas mudanças no governo parecem inevitáveis e a margem de manobra politica para fazer concessões será menor.
Certos negociadores notam que o setor privado brasileiro sempre cobra do governo a conclusão de acordos comerciais, mas no momento da barganha alguns segmentos mantêm uma postura fortemente protecionista, o que inviabiliza a discussão.
A visita de Gucht sinaliza o interesse europeu pelo Brasil, empurrado pelo interesse de empresas do velho continente. Mas a real barganha ainda vai levar um tempo para começar de fato.























