Caso a pandemia não atrase a conclusão do acordo Mercosul-UE, o mesmo não se pode dizer das negociações que estão em andamento com outros países. E justamente aqueles com os quais o presidente da Argentina, Alberto Fernández, decidiu que não participará
Negociações do Mercosul podem atrasar com restrições impostas pela pandemia da Covid-19

Por Anderson Oliveira
A assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), em junho de 2019, gerou uma série de expectativas para os setores de aves e suínos no Brasil. As negociações ocorriam já há 20 anos quando o acordo foi finalmente assinado. No entanto, mais dois anos ainda serão necessários para se concluir todos os trâmites e ele realmente passar a funcionar. A pandemia de Covid-19 e a eleição presidencial da Argentina, que culminou na vitória do kirchnerista Alberto Fernández, por outro lado, podem refletir em atrasos na conclusão do processo. Isso porque o líder argentino tem demonstrado que pretende rever os acordos em andamento. A decisão do presidente vizinho poderia prejudicar ainda outras negociações do Mercosul que estão em andamento, especialmente aquelas com Canadá, Coreia do Sul e Singapura. Para o pesquisador Pedro Abel Vieira Júnior, da Secretaria de Inteligência e Macroestratégia da Embrapa, o Mercosul nunca se comportou como um bloco econômico, mas como um ajuntamento de interesses, o que pode levar o acordo com a União Europeia a ser revisto.
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