Demanda nacional elevou o poder de compra do suinocultor ao maior nível em quatro anos.
Bons preços para 2008
Redação (20/01/2009)- Aos primeiros dias de 2008, ninguém seria capaz de apostar que o ano, ou a maior parte dele, seria tão bom para o setor de suínos quanto foi. Naquela época, os preços dos insumos, principalmente da ração, estavam altos e o suíno vivo se desvalorizava desde meados de dezembro de 2007. Passados alguns dias de janeiro, no entanto, as cotações do farelo de soja e do milho começaram a recuar, favorecendo o poder de compra dos suinocultores. A partir de março, a alta dos preços no mercado de carnes, por aumento da demanda, somada à baixa dos insumos, pela maior oferta, elevaram o poder de compra do suinocultor ao maior nível em quatro anos. No mercado externo, apesar do menor volume negociado, a alta do preço das commodities garantiu bons resultados às indústrias exportadoras.
Observando a produção e a exportação de carne suína até setembro, constata-se que a disponibilidade interna foi 8% superior à do mesmo período de 2007. Tradicionalmente, os preços do suíno caem nos primeiros meses do ano e voltam a reagir em maio-junho. Em 2008, no entanto, já em março as cotações davam sinal de que a demanda interna impulsionaria o setor. Além das condições macroeconômicas favoráveis, também o encarecimento da carne bovina, em função da menor oferta, reforçou o consumo tanto pela carne suína quanto de frango, por efeito substituição.
Os preços do suíno vivo também tiveram fortes reajustes no mesmo período, com o ritmo seguindo o da carne. Na média de janeiro a outubro de 2008, os preços do suíno vivo foram os maiores desde 2002 (início da série do Cepea), chegando a ser R$ 1,00/kg superior ao do mesmo período de 2007, em termos reais (IPCA), nos oito estados nos quais o Cepea acompanha preços (região Sul, da região Centro-Oeste, Minas Gerais e São Paulo).
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No começo de novembro, no entanto, as quedas de preços, que começaram em meados de outubro, se intensificaram, chegando a mais de 15% nas duas primeiras semanas do mês. Esse movimento veio pouco depois que importadores da carne brasileira alegaram dificuldade de recursos – devido à crise financeira – para pagar pelo produto já embarcado. No final de 2008, constata-se que de 15 de outubro a 23 de dezembro, o suíno vivo caiu 32% em Erechim (RS) e 34% em Ponte Nova (MG). Para a carne (carcaça comum), os recuos, também expressivos, são de 27% no atacado de São Paulo e 19% em Chapecó (SC).
Quanto às exportações de carne suína em 2008 pode ser dividida em dois períodos. O primeiro é marcado pela valorização do produto no mercado internacional, e o segundo, a partir de setembro, pela forte desvalorização do Real.
De janeiro a setembro de 2008, o valor médio da carne suína exportadas aumentou 39% em dólar, para US$ 3.362,20/tonelada, motivada por um choque de demanda internacional que afetou todas as commodities. Nem a apreciação do Real frente ao dólar, que de janeiro a agosto atingiu 10%, ou a diminuição do volume exportado foram suficientes para reduzir a receita das exportadoras. A partir do final de setembro, no entanto, com o agravamento da crise financeira mundial houve uma forte desvalorização do Real, com a cotação da moeda americana saltando para R$ 2,40, na média de dezembro (até 26/12) – aumento de 49% de agosto para dezembro.
Até novembro, as divisas geradas com a venda de carne suína ao exterior somaram US$ 1.298,20 milhões, de acordo com dados da Secex, aumento de 28,2% em dólar com relação ao mesmo período de 2007. O volume, contudo, diminuiu 10,6% (ou 52 mil toneladas), para 441 mil toneladas. Esta redução ocorreu principalmente pelas menores compras da Rússia e dos países que importam através de Cingapura.
A Rússia, maior comprador de carne suína brasileira, vem incentivando a produção interna de suíno e, em 2008, comprou do Brasil 27 mil toneladas a menos que em 2007, o que representa redução de 11,5% das exportações brasileiras para este país. Já os importadores que usam o porto de Cingapura reduziram as compras do produto brasileiro em 33,3%, o equivalente a 9,17 mil toneladas. Mesmo com estas diminuições, a Rússia permanece sendo o principal comprador (47% do total exportado), seguida por Hong Kong (16%) e Ucrânia (11%). Estes três recebem 74% das exportações de carne suína. Cingapura continua na quarta posição, agora com 4% do volume exportado.
Em dezembro foram exportadas 25,8 mil toneladas de carne suína, 15% a mais que em novembro, com receita de US$ 66,2 milhões, mas 1,5% abaixo do escoado no mês anterior e 56% a menos que em dez/07.























